Bruxelas avalia medidas para viabilizar o acordo com Mercosur. A Comissão Europeia propôs ajustes na Política Agrícola Comum (PAC) para o próximo orçamento plurianual, buscando atrair a aprovação de França e, principalmente, da Itália. O objetivo é destravar o pacto com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai.
A presidenta Ursula von der Leyen sugeriu adiantamento de pagamentos da PAC, possibilitando que até dois terços do orçamento cheguem aos Estados em 2028-2034. A estimativa da Comissão é de que cerca de 45 bilhões de euros avancem ao campo europeu antecipadamente.
Meloni recebeu a proposta com satisfação e destacou que os 45 bilhões de euros adicionais podem manter o nível de financiamento e ampliar recursos para agricultores europeus. A italiana reforçou que ainda não confirmou apoio ao acordo com Mercosur.
França mantém posição mais resistente ao pacto, apesar de ajustes recentes. O governo francês pediu garantias para o setor agrícola e sinalizou possible veto, caso não haja salvaguardas adicionais para o mercado interno.
Paris também condicionou apoio à adoção de cláusulas de proteção ao setor agrícola, presentes no texto aprovado pela UE em dezembro. A avaliação sobre a viabilidade do acordo ocorrerá em uma reunião de ministros nesta semana.
Neste cenário, a votação no Conselho da UE foi adiada. A decisão final depende da aprovação do Parlamento Europeu e da maioria qualificada dos Estados-membros, que envolve os votos de Itália, França e outros países-chave.
Em Bruxelas, as negociações seguem com foco na condução do processo de ratificação. A agenda prevê que, após a reunião de ministros, haja votação dos textos legais de Mercosur e, em seguida, o início do processo de validação nacional, que pode se estender por meses ou anos.
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