Aldrich Ames, ex-agente da CIA, morreu nesta segunda-feira, aos 84 anos, enquanto estava custodiado. Ele foi condenado à prisão perpétua por vender segredos à União Soviética entre 1985 e 1993, com ganhos superiores a 2,5 milhões de dólares. A morte ocorreu sob a custódia federal, conforme informou o Departamento Federal de Prisões dos EUA.
Ames chefiou a divisão soviética do grupo de contrainteligência da CIA. Junto com a esposa Rosario, ele alimentou o governo russo com informações, ampliando a suspeita sobre o comportamento financeiro do casal, que incluía contas suíças e consumo elevado. Segundo autoridades, ele vendeu informações por quase uma década.
A traição resultou na compromissão de dezenas de operações secretas e na morte de doze agentes que espionavam para Washington. O FBI e promotores federais disseram que os gastos do casal indicavam um estilo de vida incompatível com a renda declarada.
Contexto e desdobramentos
De acordo com a justiça, Ames forneceu dados que levaram a avaliações imprecisas sobre capacidades militares da URSS, influenciando decisões em altas esferas dos EUA durante a era Reagan e Bush. O caso trouxe tensões entre Washington e Moscou no período de normalização pós URSS.
O ex-diretor da CIA na época, James Woolsey, renunciou ao cargo após o escândalo, recusando demitir colegas. O então presidente Bill Clinton qualificado o caso como muito sério, sugerindo possíveis impactos nas relações com a Rússia. O Kremlin, por sua vez, minimizou o incidente.
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