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Groenlândia: quanto vale e interesse de Trump em comprar

Estimativas variam: Groenlândia pode valer entre US$ 200 bilhões e US$ 2,8 trilhões, enquanto EUA avaliam aquisição

Esculturas naturais de gelo no fiorde Bernstorff, na costa leste da Groenlândia
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Após a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA, Donald Trump voltou a discutir a aquisição da Groenlândia. A ideia foi apresentada nesta terça-feira (6), em um contexto de estudo estratégico e de avaliação de recursos da ilha, que pertence à Dinamarca.

Diversos cálculos foram feitos nos últimos cinco anos sobre o valor da Groenlândia. A estimativa mais citada aponta US$ 1 trilhão com base na soma das partes de seus recursos naturais inexplorados, conforme um blog ligado ao Financial Times.

Existem avaliações mais conservadoras. Um estudo do American Action Forum aponta US$ 200 bilhões com base no valor de mercado de reservas minerais, como neodímio, grafite e lítio. Considerando influência militar e rotas marítimas, o valor pode chegar a cerca de US$ 2,8 trilhões.

Outras referências históricas ajudam a dimensionar a discussão. Noel Maurer sugere que a Groenlândia vale, no mínimo, o equivalente a US$ 24 bilhões hoje, usando a linha metodológica que decorre do histórico pagamento pelo Alaska, em 1867.

As primeiras propostas de compra da Groenlândia pelos EUA ocorreram em 1868, por US$ 5,5 milhões. Em 1946, foi apresentada oferta de US$ 100 milhões, equivalente hoje a cerca de US$ 1,6 bilhão, ajustado pela inflação e pelo PIB.

Motivação estratégica

Integrantes do governo norte-americano destacam que a ilha possui reservas de gás natural, petróleo, terras raras e cobre, itens relevantes para cadeias produtivas e defesa. A maior parte de minerais de terras raras hoje depende da China, com produção global concentrada.

Segundo o Financial Times, a Groenlândia está posicionada para se beneficiar de mudanças climáticas, com potencial de suprir neodímio, grafite e lítio no longo prazo, fortalecendo tecnologias de energia limpa. Estudos destacam ganhos estratégicos com uma aquisição unificada do Ártico norte-americano.

Reação internacional e posição da Groenlândia

Para Barry Zellen, pesquisador de geopolítica ártica, a ideia tem lógica histórica mesmo diante da baixa probabilidade prática. A aquisição uniria o noroeste e o nordeste do Ártico sob proteção direta dos EUA.

A Groenlândia tem reiterado que não pretende virar parte dos Estados Unidos. A posição é apoiada por líderes da OTAN, que destacam a importância de manter a ilha como território dinamarquês.

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