A manhã de protesto mobilizou o presidente Gustavo Petro, que tinha previsto um discurso nacionalista contra o ex-diretor Donald Trump. Antes de subir ao palanque na Plaza de Bolívar, em Bogotá, Petro recebeu uma ligação de Trump que mudou o tom da sua fala. O chefe de Estado afirmou que prioriza a paz há 34 anos, destacando a importância do diálogo.
Durante a ligação, Petro disse ter abordado dois temas centrais para o republicano: narcotráfico e Venezuela. Reiterou números de apreensões de drogas ocorridas sob seu governo, além de mencionar a sua atuação na extradição de traficantes para tribunais dos EUA.
O presidente contou ainda que defendeu a ideia de substituição voluntária de cultivos como estratégia de redução de coca, apesar de o governo ter retomado, recentemente, a fumigação com glifosato com drones. Também afirmou que Trump pode estar sendo induzido por elites colombianas de direita, ligadas a Miami, a acreditar em versões de que Petro é testa‑ferro.
Sobre a Venezuela, Petro informou que discutiu com Trump a relação entre a paz venezuelana e a estabilidade colombiana. Entre outros pontos, citou conversas com Nicolás Maduro, antes de ações militares americanas contra Caracas, e mencionou um possível ataque a grupos insurgentes na fronteira.
Petro também revelou conversas com Delcy Rodríguez, hoje presidente da Venezuela, para avançar um diálogo tripartite envolvendo a região. A ideia é promover um entendimento regional que contemple a situação venezuelana sem abrir mão de avanços no processo de paz interno.
O mandatário associou o diálogo com Trump à prática de negociações com distintos grupos armados dentro da política de paz total. Disse que conversar é essencial, desde que não se vire parceria com violência. Ao final, Petro pediu calma ao país e disse que manterá a vigilância de eventuais problemas.
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