Uma força multilateral liderada por anglo-franceses para a Ucrânia precisaria de milhares de combatentes para dissuadir a Rússia de violar um cessar-fogo, afirma o ex-general Ben Hodges. A avaliação aponta que a missão deve ter capacidades reais de resposta rápida.
Hodges disse que a coalizão de voluntários precisa de regras de engajamento claras para agir diante de provocações atribuídas a Moscou. Ele destacou que autoridades locais não podem depender de confirmações demoradas de Paris ou Londres durante incidentes com drones russos.
O militar retirado não vê realismo em acreditar que a Rússia cumpriria acordos, citando violações históricas entre 2014 e 2022. Ele reforçou a necessidade de defesa contra drones e ataques, ante a possibilidade de testes imediatos à capacidade de resposta da força.
Contexto e participação
Nesta semana, líderes britânicos e franceses falaram com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy em Paris sobre a proposta. Keir Starmer e Emmanuel Macron reiteraram o compromisso de enviar tropas terrestres a território ucraniano, além de apoiar forças aéreas e navais.
O pacote prevê, ainda, o uso de núcleos militares parceiros para treinamento e reconstrução das forças de Kiev, com a criação de «hubs» militares no país, cujos locais não foram detalhados. Participação de cada país e números exatos seguem indefinidos.
Apesar da declaração, não há consenso entre aliados. O Ministério da Defesa britânico não confirmou se tropas de combate seriam enviadas, citando sensibilidade operacional. A Alemanha ainda não sinalizou participação de forças em solo.
Perspectivas e limitações
O conjunto proposto seria modesto, estimando entre 10 mil e 15 mil integrantes, refletindo forças armadas europeias menores. França e Reino Unido enfatizam a função de dissuasão e de apoio às capacidades de defesa da Ucrânia.
Alguns aliados, como EUA, Polônia e Itália, disseram que não enviariam tropas terrestres. a Turquia abriu possibilidade de participação, enquanto Washington oferece apoio a protocolos de segurança para sustentar um eventual acordo durável.
Especialistas ouvidos apontam que o objetivo é criar um mecanismo de dissuasão credível, não apenas uma presença simbólica. Questionamentos seguem sobre o tamanho, o alcance e a localização exata dos escritórios de coordenação e dos hubs.
Entre na conversa da comunidade