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2026 já apresenta desafios para a ONU

EUA alinham-se a regimes autoritários e ameaçam sair de organismos, impondo cortes ao orçamento da ONU e redesenhando a ordem global

U.S. Ambassador to the United Nations Mike Waltz arrives for a Security Council meeting concerning the situation in Venezuela, in New York.
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O Conselho Geral da ONU vivenciou um marco institucional no início de dezembro, quando os Estados Unidos se posicionaram ao lado de regimes autoritários para votar contra uma resolução sobre o desastre nuclear de Chernobyl. A votação, que ocorreu na Assembleia Geral, registrou 97 votos a favor, 8 contra e 39 abstenções. O embaixador dos EUA na ONU liderou o eventual alinhamento com países como Belarus, China, Cuba, Coreia do Norte, Nicarágua, Níger e Rússia.

A contestação norte‑americana decorre de uma referência contida no texto à Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável da ONU. A explicação oficial citou essa linguagem como justificativa para dissidência, apontando que a cooperação em torno de Chernobyl pode orientar prioridades de financiamento ao longo do tempo. Dias antes, os EUA já apoiaram outra resolução favorável a Ukraine que tratava da devolução de crianças raptadas pela Rússia.

Tensões aumentam no âmbito regional e institucional

Pouco tempo depois, o governo dos EUA realizou ataques na Venezuela e prendeu o presidente Nicolás Maduro, o que provocou uma sessão de emergência do Conselho de Segurança. Maduro é visto por muitos governos como legítimamente eleito, apesar de questionamentos sobre a lisura do pleito de 2024. A reação diplomática incluiu apelos de aliados europeus para que decisões sobre o futuro político venezuelano ficassem com a população local.

Em meio a esse cenário, o presidente Donald Trump indicou que o país poderia adotar medidas adicionais contra membros do Conselho de Segurança, citando Colômbia e Dinamarca. Na sequência, anunciou a intenção de se retirar de diversas organizações e acordos internacionais, incluindo o Fundo de População da ONU e a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. A declaração envolveu promessas de cortes orçamentários e reavaliação de prioridades.

Orçamento e funcionamento da ONU sob pressão

A gestão de recursos financeiros da ONU ganhou contornos de ferramenta de pressão. O governo norte‑americano tem utilizado fundos retidos para influenciar decisões sobre investimentos, com o objetivo de reduzir gastos em áreas sensíveis, como direitos de aborto, termos relacionados a gênero e ações climáticas. A postura também envolve negociações de orçamento de 2026, com propostas de cortes significativos que afetaram pessoal e operações.

Em especial, a negociação sobre o orçamento regular de 2026 arrastou‑se até o final do ano, com debates fechados entre diplomatas em Nova York. A bancada norte‑americana participou ativamente, defendendo reduções no tamanho da estrutura e em salários, em meio a preocupações sobre a eficiência administrativa da organização.

Realinhamentos estratégicos e impactos

Ao final, a ONU aprovou um orçamento de 3,45 bilhões de dólares para 2026, com quedas de cerca de 15% nos recursos financeiros e 19% no quadro de pessoal. A produção de resultados avaliados pela instituição refletiu ajustes de prioridades, incluindo a continuidade de operações humanitárias mesmo com o recuo de financiamento norte‑americano.

O efeito mais amplo envolve a percepção de que a ONU, sob a administração Trump, passa por um redesenho de seu funcionamento. A estratégia anunciada, batizada por alguns como “Make the U.N. Great Again”, busca reduzir a dependência de grandes programas multilaterais, ao mesmo tempo em que reforça a atuação dos EUA como financiador seletivo e condutor de agendas específicas.

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