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Paris adota novo toque de recolher até segunda (26) em áreas centrais

Restrição vale para a Praça da República e Les Halles; governo vai mobilizar militares em atos previstos para sábado

Policiais com capacetes e uniformes escuros caminham por uma avenida tomada por fumaça, com um pequeno foco de incêndio no asfalto. Ao fundo, há um grande arco de pedra, semáforos acesos e pessoas dispersas na rua.
Novo toque de recolher em Paris vem após os protestos do fim de semana (Crédito: Hesham Elsherif/Anadolu via AFP)

A polícia de Paris anunciou um novo toque de recolher na Praça da República e no distrito comercial de Les Halles, que vai da noite desta quinta-feira (22) até a manhã de segunda-feira (26). A medida vale diariamente das 23h às 6h do dia seguinte e proíbe a presença de adultos e menores de idade nesses locais.

“Conforme as instruções do primeiro-ministro Sébastien Lecornu e do ministro do Interior, Laurent Nuñez, a Prefeitura de Polícia emitiu uma ordem que impõe toque de recolher”, escreveu o órgão no X.

Novos protestos estão previstos para sábado (24), e o governo francês anunciou na terça-feira (20) que vai mobilizar militares para reforçar a segurança durante os atos.

Macron diz que protestos considerados “ilegítimos” serão proibidos na França

Nesta quinta-feira, o presidente Emmanuel Macron afirmou que manifestações consideradas “ilegítimas” serão proibidas nos próximos dias. Para os atos convocados por grupos organizados, como os sindicatos, o governo vai propor rotas alternativas, a fim de proteger o comércio.

A polícia de Paris adotou toques de recolher nas noites de segunda (19), terça (20) e quarta-feira (21) nas mesmas regiões, que concentraram os confrontos do fim de semana. 

Além disso, a Promotoria e a polícia investigam a morte de um homem de 59 anos, no sábado, perto da Praça da República, e a de outro, de 48, na madrugada de segunda-feira (19), em Les Halles. Até o momento, não há suspeita de envolvimento de terceiros, segundo as autoridades.

França investiga duas mortes em protestos; toque de recolher em Paris continua

Protestos do fim de semana

Macron atribuiu os distúrbios e os saques registrados no último sábado (17) em todo o país a grupos de extrema esquerda, que chamou de “sediciosos”, e a vândalos.

Os atos de sábado, convocados principalmente contra o alto custo de vida, reuniram cerca de 550 mil pessoas, segundo o Ministério do Interior. Uma central sindical calcula 800 mil. A mobilização ocorreu após semanas de protestos de estudantes por melhores condições nas escolas.

Protestos contra custo de vida mobilizam milhares na França e têm confrontos

Em balanço divulgado na quarta-feira (21), o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, informou que cerca de 2.500 pessoas foram detidas ao todo, e 174 acabaram presas.

A violência atingiu quase 3 mil lojas, de acordo com a Federação do Comércio e do Varejo, que pediu isenção de impostos e de contribuições previdenciárias para os comerciantes. Para barrar a revenda de itens saqueados, plataformas como Vinted, Amazon, eBay, Leboncoin, Meta e TikTok firmaram acordo com o governo para identificar anúncios suspeitos e repassar dados às autoridades.

*Com informações da Reuters e da AFP

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