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Ucrânia ordena saída de famílias em região reivindicada pela Rússia

Governo determina evacuação de moradores com filhos de área no leste do país; negociações de paz podem começar em novembro

Uma mulher com uma criança passa em frente ao danificado prédio da Administração Municipal e Regional de Kharkiv, em Kharkiv, em 20 de outubro de 2026, em meio à invasão russa da Ucrânia
Uma mulher com uma criança passa em frente ao danificado prédio da Administração Municipal e Regional de Kharkiv, na Ucrânia (TETIANA DZHAFAROVA/AFP)

Autoridades regionais ordenaram a evacuação obrigatória de famílias com filhos na região de Donbass, ao leste da Ucrânia. Kramatorsk e Sloviansk ainda estão sob controle ucraniano.

A medida, desta quinta-feira (22), ocorre um dia depois de o presidente da Rússia, Vladimir Putin, aceitar retomar as negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos a partir de novembro.

Kremlin considera parte de Donbass, sobretudo Donetsk, como parte do território russo. Nos últimos meses, as tropas russas avançam em direção às duas cidades.

“Vamos ampliar a zona de evacuação obrigatória para famílias com filhos, abrangendo agora todas as localidades das aglomerações de Kramatorsk e Sloviansk”, anunciou no Telegram o governador regional, Vadim Filashkin.

Ele não informou quantas pessoas serão afetadas. Antes disso, as autoridades locais já haviam determinado evacuações obrigatórias em partes das duas cidades.

Segundo Filashkin, a situação de segurança continua piorando sob os ataques russos. Na terça-feira (20), quatro pessoas morreram em um ataque russo em Kramatorsk. Duas semanas antes, 30 pessoas morreram em um ataque a dois ônibus na cidade.

Em meados de outubro, autoridades locais informaram que mais de 70 mil pessoas, incluindo 3 mil crianças, vivem nas áreas da região de Donetsk controladas por Kiev.

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Negociações de paz

Putin aceitou retomar as negociações depois de se reunir na quarta-feira (21) com o enviado americano Steve Witkoff, em São Petersburgo. Foi o nono encontro presencial entre os dois.

Na reunião, Putin ofereceu ajuda a Trump nas negociações com o Irã sobre o programa nuclear. Segundo o Kremlin, ele disse que é possível e necessário chegar a um acordo com Teerã.

O presidente russo ainda afirmou que a Rússia poderia fornecer grandes quantidades de fertilizantes aos agricultores americanos. Antes da reunião, a Rússia libertou o professor americano aposentado Stephen Hubbard, cuja soltura Trump havia pedido a Putin.

As negociações podem ocorrer em Abu Dhabi a partir de 10 de novembro, com representantes de nível técnico dos países em guerra e dos EUA. O principal tópico do debate será a garantia de segurança dos dois países depois do fim da guerra.

Nesta quinta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o envolvimento maior dos países europeus nas negociações é positivo. Ele disse, porém, que a Rússia ainda não decidiu quem vai representar o país.

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Posições ucranianas

Por outro lado, o Kremlin se mostrou menos otimista com as conversas que Witkoff teve na terça-feira (20), em Oslo. Estavam presentes o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, os líderes da Finlândia e da Noruega e representantes da União Europeia e da Otan.

Ucrânia e Rússia continuam distantes sobre os termos de um acordo. Ao mesmo tempo, Trump tem aumentado a pressão sobre Kiev. Ainda na terça-feira, disse que era hora de a Ucrânia encerrar a guerra ou enfrentar “algo muito ruim”.

As últimas negociações mediadas pelos EUA foram em fevereiro, antes do início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Em Kiev e entre os aliados ucranianos, há preocupação de que os EUA estejam se afastando da Ucrânia.

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(Com informações da AFP e da Reuters)

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