O Irã ficou amplamente isolado do restante do mundo nesta sexta-feira, com bloqueio de internet, falhas em ligações telefônicas, cancelamento de voos e intermitência de sites de notícias. Os protestos que se espalharam pelo país vinham ganhando força desde o dia anterior.
O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, acusou os manifestantes de agir em nome de Donald Trump, dizendo que atacavam propriedades públicas e avisando que Teerã não toleraria ações promovidas por mercenários de estrangeiros. As afirmações elevam o tom do governo frente aos atos de rua.
As manifestações, estimuladas por uma inflação elevada, não atingiram a escala de três anos atrás, mas ganharam contornos nacionais. Relatos indicam dezenas de mortes e uma economia fragilizada, agravada pela guerra recente com Israel e os EUA.
Segundo o grupo de direitos humanos Hengaw, uma marcha após as orações na sexta-feira em Zahedan, região com maioria balúche, foi recebida por disparos que feriram várias pessoas. A informação reforça a violência na repressão aos protestos.
Exilados da oposição externa convocaram novos protestos, com Reza Pahlavi, filho do último xá, chamando iranianos às ruas. Em resposta, o governo afirmou não reconhecer legitimidade a esses chamados, mantendo o foco na ordem pública.
Ontem, a televisão estatal exibiu cenas de incêndios em ônibus, veículos e uma estação de metrô, além de bancos públicos em chamas. A emissora atribuiu os distúrbios à MKO, facção dissidente da oposição.
Vídeos verificados mostram centenas de manifestantes em Teerã, com relatos de pessoas gritando palavras de resistência contra Khamenei. As imagens ilustram a persistência de protestos apesar da repressão e do isolamento técnico.
O Irã já havia reprimido distúrbios anteriormente, mas hoje enfrenta pressão internacional acrescida pelas sanções reestabelecidas desde setembro devido ao programa nuclear. O complexo cenário econômico alimenta a instabilidade interna e a tensão com parceiros externos.
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