A organização Iran Human Rights, com sede na Noruega, confirmou que pelo menos 192 manifestantes foram mortos em protestos no Irã nas últimas duas semanas. O grupo alerta que o número real pode ser ainda maior, devido à interrupção de serviços de internet nos últimos dias.
Os protestos começaram há duas semanas, iniciados por comerciantes que não aceitavam a crise econômica. O movimento ganhou força e é considerado um dos maiores desde a Revolução Islâmica de 1979. Em meio à violência, especialistas destacam o impacto de medidas de controle digital.
O Irã está sem acesso à internet há 48 horas, após um apagão nacional imposto pelas autoridades, conforme a ONG Netblocks. Em imagens verificadas pela AFP, manifestantes aparecem em Teerã com panelaços, fogos de vistoria e palavras de apoio à dinastia Pahlavi.
Desdobramentos
A ação de repressão e o bloqueio de comunicação geram alerta internacional. Shirin Ebadi, vencedora do Nobel da Paz, afirmou que as forças de segurança podem realizar um massacre sob o pretexto do bloqueio das informações. A presidente da Comissão Europeia expressou apoio aos iranianos que buscam liberdade.
Em Teerã, vídeos mostraram o manejo de funeral de membros das forças de segurança mortos nos protestos. Em Londres, ativistas apoiaram o movimento com ações na frente da embaixada do Irã, em referência ao apoio popular ao protesto.
Reação internacional
O governo dos Estados Unidos sinalizou disposição de apoio a manifestações pró-liberdade, conforme declarações públicas. Analistas destacam que a tensão aumenta diante de um cenário de instabilidade regional e da pressão econômica interna. Organizações de direitos humanos continuam a monitorar o curso dos acontecimentos.
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