Acordo entre Mercosul e União Europeia foi apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma vitória do mundo democrático e do multilateralismo. O anúncio ocorreu na sexta-feira, após mais de 25 anos de negociações, com Lula em discurso no Rio de Janeiro ao lado de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.
A assinatura do tratado está prevista para sábado, em Assunção, no Paraguai. O acordo visa ampliar oportunidades comerciais e de investimentos sem retirar o papel do Estado em áreas como saúde, desenvolvimento industrial, inovação e agricultura familiar. Lula destacou compromissos com meio ambiente, clima, povos indígenas, direitos trabalhistas e igualdade de gênero.
Segundo o governo brasileiro, o pacto elimina tarifas para mais de 90% do comércio bilateral e facilita a entrada de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanas na UE, em troca de preferências para automóveis, maquinário, vinhos e destilados europeus. O texto ainda precisa passar por referendos no Mercosul e no Parlamento Europeu.
Detalhes políticos e critérios de implementação
Na visão de Lula, o acordo representa abertura comercial com responsabilidade social, mantendo padrões elevados de direitos trabalhistas e proteção ambiental. O governo brasileiro sinaliza interesse de ampliar parcerias com Canadá, México, Vietnã, Japão e China, além de buscar novos mercados.
Desafios e próximos passos
Produtores europeus temem entrada de itens sul-americanos com normas de produção menos rígidas. A Comissão Europeia apresentou cláusulas para mitigar impactos, incluindo garantias setoriais e mecanismos de intervenção em caso de desestabilização do mercado. A assinatura formal depende de ratificação em cada órgão signatário. AFP
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