Europeia discute possibilidade de força própria diante de incertezas com Washington
A ideia de um exército europeu ganhou novas leituras diante da escalada de provocações do governo dos EUA. Em meio a declarações públicas de Donald Trump sobre Greenland e outras provocações, líderes europeus buscam alternativas para garantir segurança sem depender exclusivamente dos EUA.
Andrius Kubilius, comissário de defesa da União Europeia, apresentou a proposta de um Conselho de Segurança Europeu composto por 10 a 12 países, capaz de comandar até 100 mil tropas permanentes. A liderança seria da Comissão Europeia, segundo a leitura inicial das fontes.
A discussão não é nova, pois países da UE já debateram ao longo dos anos a formação de uma força europeia com comando comum. Dificuldades históricas incluíram a participação da Comissão e divergências entre grandes e menores Estados sobre soberania e veto.
Entretanto, em 2026, a moeda de troca parece ter mudado. Fontes próximas a Kubilius sugerem que o conceito não seria um órgão sob medida da UE, mas uma estrutura conjunta, potencialmente incluindo o Reino Unido, para ampliar a credibilidade europeia.
Paralelamente, seis países europeus — Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Polônia e Espanha — assinaram uma declaração conjunta com a Dinamarca em defesa da autonomia de Greenland. O texto afirma que Greenland pertence ao povo dinamarquês e groenlandês, ressaltando a soberania de dirigentes locais diante de pressões.
Em linha com isso, membros da Otan já enviaram tropas a Greenland para apoiar missões de reconhecimento. O objetivo oficial envolve segurança diante de ameaças russas e chinesas na região ártica, mas o gesto é interpretado como mensagem ao governo americano.
Mudança de eixo na defesa europeia
Especialistas afirmam que o debate sobre uma força europeia não envolve apenas capacidades militares, mas também governança e desenho institucional. A experiência com estruturas existentes, como a Berlin Plus, é citada para ilustrar entraves políticos.
Analistas lembram ainda que países fronteiriços e pequenos estados podem resistir a uma centralização de comando sob a UE, por receio de perder autonomia estratégica. Mesmo entre defensores, há divergências sobre o papel da Comissão Europeia.
Apesar das dúvidas, a conjuntura de 2026 aponta para uma reavaliação profunda da segurança europeia. Observadores sinalizam que a UE pode buscar caminhos como estruturas de cooperação entre blocos, sem depender exclusivamente de alianças existentes.
A avaliação comum entre fontes próximas aos dirigentes é de que a Europa precisa de uma leitura atualizada sobre defesa e de instrumentos que permitam respostas rápidas, com ou sem a participação direta dos Estados Unidos.
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