A União Europeia suspendeu formalmente a ratificação do acordo comercial com os EUA, em Bruxelas, após a ameaça de Donald Trump de impor 10% de tarifas sobre as exportações da UE, caso o bloco não concorde com a prerrogativa de intervenção na Groenlândia. A medida é apresentada como resposta direta à pressão de Washington.
O presidente do comitê de comércio do Parlamento, Bernd Lange, disse que não haverá caminho para o acordo enquanto as ameaças sobre a Groenlândia persistirem. A promessa de compras de energia no valor de US$ 750 bilhões pela UE não está atrelada à tariffação, segundo o bloco.
Ursula von der Leyen retornou a Bruxelas para preparar uma reunião de emergência, prevista para 19h de quinta-feira, para discutir opções. Entre elas, a aplicação de tarifas equivalentes a €93 bilhões em exportações norte-americanas e o uso do denominado instrumento de dissuasão de comércio.
O mecanismo, chamado de dissuasão nuclear do comércio, permitiria restringir o acesso de empresas dos EUA ao mercado da UE. A medida poderia abranger setores como tecnologia, cripto, aeronáutica e agrícola, embora afete eventual consumo europeu.
Parlamentares aprovaram, por maioria estreita, o envio do acordo Mercosul para a Corte de Justiça da UE, o que complica a diversificação de mercados. Lange criticou a decisão; a Comissão Europeia considerou-a lamentável, assim como líderes alemães.
A Comissão tem poder para ativar o acordo com Mercosul de maneira provisória. Lange alertou que avançar sem consenso pode gerar conflito institucional significativo na UE, com impactos ainda por definir. A situação sinaliza tensão elevada nas relações transatlânticas.
Entre na conversa da comunidade