O livro The Crown’s Silence, de Brooke Newman, revela que a coroa britânica e a Marinha expandiram e protegeram o comércio de pessoas escravizadas por séculos. A pesquisa utiliza arquivos reais e documentos oficiais para reconstituir vínculos entre a monarquia e a escravidão transatlântica.
Até 1807, quando a Grã-Bretanha aboliu o comércio de escravos no seu império, a coroa foi o maior comprador de cativas, adquirindo 13 mil homens para o exército por cerca de £900 mil. A obra contrasta com o que o palácio já declarou publicamente.
Buckingham Palace não se manifestou sobre o livro, mas uma fonte informou que o rei Charles III tratou o tema com seriedade, após ele ter indicado pesar pessoal pelo sofrimento causado pela escravidão.
Descobertas-chave
Newman afirma que, após a abolição, africanos libertados de navios de escravos pela Marinha Real foram forçados a apprenticeships ou alistados em serviço militar. O estudo aponta vínculos entre o Estado, a Royal Navy e empresas comerciais da época.
A pesquisadora pesquisou arquivos reais, manuscritos da Marinha, oficiais coloniais, autoridades governamentais e companhias como a Royal African Company e a South Sea Company. O objetivo foi mapear as operações que sustentaram o controle imperial.
Segundo a autora, a coroa costumava apresentar suas ligações com o comércio de escravos como parte de uma estratégia de marca real. Ela sustenta que esse envolvimento ficou claro tanto na Jamaica quanto em outras possessões coloniais.
Newman explica que, no século XVIII, a coroa passou a ver cativos como peões em um tabuleiro imperial. Mesmo com a repressão à escravidão, cativos libertados foram forçados a trabalhar como carpinteiros, sapateiros e outros ofícios ligados à Royal Navy.
O livro também analisa como, após a abolição, muitos libertos foram coerçados a cumprir servidão militar nas West India regiments ou em instalações navais no oeste da África, mantendo ganhos para estruturas do poder imperial.
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