A participação de América Latina no Davos suscitou leituras distintas sobre a postura regional diante de um cenário global com atuação mais assertiva dos EUA. O foco esteve na reação ao discurso no World Economic Forum, em Davos, e no debate sobre autonomia versus alinhamento com potências externas.
Carney, premiê canadense, teve fala valorizada por abrir o tema da atuação de países médios em defesa de princípios, autonomia e economia própria. O texto, porém, contrapôs criticamente o que ele chamou de ordem liberal internacional, convidando à reflexão sobre o papel regional.
O tom gerou dividedores de opinião na região. Lideranças conservadoras apoiaram políticas associadas aos EUA, enquanto governos como Colômbia e Brasil adotaram postura mais independente, sem enviar seus presidentes a Davos neste ano.
Petro, da Colômbia, chegou a planejar comparecer, mas cancelou para se preparar para encontro com a Casa Branca. O governo colombiano sinalizou agenda para negociação com os EUA em áreas estratégicas, como investimentos e segurança.
Lula, no entanto, expressou críticas à intervenção internacional em artigo no New York Times, ao classificar ataques à Venezuela como episódio nocivo ao direito internacional. Ao mesmo tempo, o Brasil afirmou manter diálogo com Washington em temas de investimento e combate ao crime.
Em termos de impacto regional, parte das autoridades divulgou o discurso de Carney nas redes sociais, enquanto a imprensa regional acompanhou avaliações de que o tema da não-alinhamento ativo é uma agenda antiga na América Latina.
No âmbito econômico, especialistas destacam que o crescimento regional permanece em torno de 2% ao ano, nível considerado baixo. Davos abriu espaço para debater estratégias para romper esse teto, com participação de autoridades de Chile e México e interesse em atrair investimentos.
Entre os pontos de mudança, houve ênfase na necessidade de manter autonomia frente a potências globais e ampliar cooperações regionais. A presença de representantes latino-americanos em Davos reforçou a busca por atrair capitais e projetos, sem aderir a hegemonias.
A cobertura mostrou ainda que, apesar de divergências políticas internas, há alinhamento em buscar agenda de desenvolvimento baseada em comércio, investimento e cooperação regional, com foco em estabilidade macroeconômica e governança responsável.
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