O Tribunal Superior de Justiça de Londres determinou que a Arábia Saudita pague mais de £3 milhões em danos a Ghanem al-Masarir, dissidente residente em Londres, cuja linha telefônica foi alvo do spyware Pegasus. A decisão, proferida pelo juiz Pushpinder Saini, envolve também um ataque físico contra o jornalista próximo ao Harrods, no centro da capital britânica.
O juiz indicou, com base na evidência apresentada, que os iPhones de al-Masarir foram hackeados pelo Pegasus, permitindo a exfiltração de dados, e que a conduta foi dirigida ou autorizada pelo governo saudita ou por agentes a seu serviço. Também ficou estabelecido, na maioria das probabilidades, que o país esteve por trás do ataque físico de 2018.
Contexto legal e motivações
Al-Masarir, de 45 anos, é conhecido por vídeos satíricos que somam mais de 300 milhões de visualizações no YouTube. A corte apontou que o Reino sabia que o dissidente criticava publicamente o governo e, por isso, houve interesse claro em silenciá-lo. O caso, iniciado em 2019, já tramita desde então sem participação ativa da defesa saudita após rejeição de imunidade soberana em fases anteriores.
Desdobramentos e impactos
A decisão marca um revés significativo para a Arábia Saudita em litígios internacionais. A defesa do dissidente, representada pelo escritório Leigh Day, destacou o caráter invasivo das ações e o impacto duradouro na saúde mental de al-Masarir, que sofre depressão grave e tem limitações em atividades diárias. Organizações de pesquisa e direitos digitais saudaram a sentença como um precedente de responsabilização estatal.
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