A escalada de confrontos entre as forças do governo sul-sudanês e combatentes leais ao SPLA‑IO intensificou-se em Jonglei, região que vai da fronteira com a Etiópia até o centro do país. A ONU informou que o choque está em uma escala não vista desde 2017.
O governo afirmou ter repelido avanços rebeldes na região de Northern Jonglei, descrevendo a operação como legítima para deter o avanço insurgente, restaurar a ordem pública e proteger civis. Ateny Wek Ateny, ministro da Informação e porta‑voz do governo, pediu que o SPLA‑IO cesse as hostilidades.
Na semana passada, o Exército sul-sudanês ordenou a evacuação de civis e de pessoal da Missão da ONU em Congo do Sul? Não. Foi a Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) e outras entidades, para três condados de Jonglei, antes da ofensiva contra as forças de oposição.
A ONU alerta que o conflito pode colocar centenas de milhares de civis em risco. Um porta‑voz do secretário‑geral Antonio Guterres informou que a missão expressou preocupações com o aumento de discurso de ódio e com o risco de comunidades civis serem arrastadas para a violência.
Dados da UNMISS apontam que cerca de 180 mil pessoas já se deslocaram em Jonglei devido aos combates. As informações destacam a gravidade da crise humanitária decorrente dos choques entre as partes em conflito.
O histórico mostra que o conflito entre forças de Salva Kiir e forças leais a Riek Machar, entre 2013 e 2018, teve forte componente étnico e resultou em centenas de milhares de mortos. Machar está sob processo por traição após incidentes ligados a milícias com ligações históricas ao SPLA‑IO.
Machar nega as acusações e participa de processos legais em meio ao atual ciclo de tensão, enquanto autoridades e combatentes relatam novos confrontos em Jonglei, elevando o risco de uma nova fase de instabilidade no país.
A reaparição de atividades militares ocorre num momento sensível do processo de transição política, com o governo pedindo ao SPLA‑IO que pare as ações para não comprometer acordos de paz ratificados em 2018.
A comunidade internacional acompanha o desenrolar do conflito. A ONU reiterou a necessidade de proteção de civis, cumprimento de acordos e acesso humanitário sem obstáculos, diante do risco crescente de deslocamentos e violência étnica.
Entre na conversa da comunidade