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Onda de protestos na Europa chega à Itália e impacta produção de massas

Bloqueios de caminhoneiros deixam fábricas sem matéria-prima; governo estuda pacote de € 150 milhões

Prateleiras de supermercado cheias de pacotes de massa da marca Rummo, em embalagens bege com letras vermelhas, com formatos como rigatoni, farfalle e anéis visíveis pela janela transparente.
Sem ingredientes, a Rummo suspendeu a produção de massas na Campânia (Crédito: Riccardo Milani/Hans Lucas via AFP)

O protesto de caminhoneiros contra a alta dos combustíveis e do custo de vida no sul da Itália ameaça a produção de massas do país. Os bloqueios impedem a chegada de insumos às fábricas, e algumas já interromperam as atividades.

A tradicional fabricante Rummo informou nesta terça-feira (20) que parou a produção depois que seus ingredientes se esgotaram. Ela é sediada na Campânia, região que concentra o núcleo da produção italiana de massas junto com a Apúlia e a Sicília.

O presidente-executivo da empresa afirmou que quase todos os grandes fabricantes da Apúlia enfrentam o mesmo problema. “Isso significa que a maior parte da produção de massas da Itália está paralisada, ou está prestes a ficar”, disse ao jornal italiano La Repubblica.

Protestos contra custo de vida mobilizam milhares na França e têm confrontos

De acordo com relatório da European House-Ambrosetti publicado em setembro, a cadeia produtiva de massas da Itália faturou € 13,5 bilhões no ano passado.

Também nesta terça, a La Molisana relatou forte redução na produção e disse ter precisado recorrer aos estoques de matérias-primas, como trigo e sêmola.

Na semana passada, a entidade que representa o setor de moinhos do país já havia alertado que mais fábricas poderiam ser obrigadas a parar caso os protestos continuassem, com efeitos sobre toda a cadeia de abastecimento.

Escassez atinge supermercados e postos

O governo italiano promete ampliar o apoio às transportadoras. Depois de se reunir com representantes do setor nesta terça, o vice-ministro de Infraestrutura, Edoardo Rixi, afirmou que um pacote de mais de € 150 milhões será liberado em breve.

A gestão da primeira-ministra Giorgia Meloni aprovou uma ofensiva na área de segurança após os distúrbios do fim de semana em Milão e em outras cidades do norte, ocorridos em meio a manifestações contra a inflação.

Protestos estudantis por melhores condições de ensino se espalham pela Europa

Iniciada na semana passada com bloqueios de estradas, rodovias e portos na Sicília e no sul, a mobilização dos caminhoneiros tem provocado transtornos em larga escala, como falta de produtos nos supermercados e filas nos postos de combustível.

“As pessoas tentavam pegar o que restava. Tive que ir a uma cidade vizinha e também estoquei farinha e os alimentos que mais consumimos”, contou Zineb Boutimah, de 45 anos, moradora de Locri, na província de Reggio Calabria.

Elena Lombardo, de 78 anos, que também vive em Locri, relatou que o frentista do posto da cidade a aconselhou a encher o tanque na segunda-feira (19). “Não sei se haverá gasolina amanhã”, avisou o funcionário, segundo ela. Nesta terça, o posto estava fechado.

Protestos se espalham pelo continente

A paralisação na Itália ocorre em meio a uma série de protestos que ganharam força em vários países europeus entre setembro e outubro. 

Na França, a mobilização começou nas escolas, com alunos do ensino médio bloqueando centenas de unidades para cobrar mais professores, turmas menores e reformas nos prédios. Ações policiais deixaram centenas de feridos, e o governo suspendeu as granadas de efeito moral depois que um adolescente perdeu uma mão.

No último final de semana, os atos passaram a ter como foco o custo de vida e reuniram cerca de 550 mil pessoas, segundo o Ministério do Interior. Parte das manifestações terminou em saques, incêndios e confrontos, e cerca de 2.500 pessoas seguiam detidas nesta terça.

O governo francês decretou toques de recolher em áreas de Paris e vai usar militares para reforçar a segurança nos atos previstos para sábado (24).

Macron condena violência em protestos na França; quase 2.400 são presos

Na Espanha, protestos por moradia começaram após o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos. Em setembro, ela foi retirada do apartamento onde vivia havia quase sete décadas, depois que a proprietária tentou elevar o aluguel em 275%.

O caso levou dezenas de milhares de pessoas às ruas de Madri e de outras cidades. O primeiro-ministro Pedro Sánchez antecipou as eleições para 29 de novembro depois que o Parlamento derrubou dois decretos sobre habitação.

Governo da Espanha aposta em eleição antecipada em meio à crise da moradia

Na Albânia, dezenas de milhares de estudantes protestaram em Tirana contra o alto custo do ensino superior e incendiaram a sede do Ministério da Educação, no ato mais violento contra o primeiro-ministro Edi Rama.

Na Bélgica, estudantes inspirados pelo movimento francês aderiram a uma greve nacional contra cortes no orçamento, que reuniu cerca de 30 mil pessoas em Bruxelas e terminou em confrontos com a polícia e 21 detidos.

Em Portugal, manifestantes acamparam em praças centrais de Lisboa e do Porto em protesto contra a crise da moradia. Eles pedem a retirada de um projeto de lei que facilita despejos e acaba com o teto de aluguel em novos contratos, num país onde os preços dos imóveis mais que dobraram desde 2017.

*Com informações da Reuters e da AFP

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