O dissidente saudita Ghanem al-Masarir ganhou na Justiça britânica mais de £3 milhões em danos após ser vítima de agressão e de espionagem com Pegasus. O veredito ocorreu no fim de 2023, com a decisão divulgada recentemente, e aponta responsabilidade do governo da Arábia Saudita.
O tribunal considerou que o telefone de al-Masarir foi infectado durante uma operação de vigilância, em 2018, enquanto ele estava em Londres. O ataque ocorreu próximo ao centro de Harrods, no coração da capital britânica, em um episódio que também envolveu agressão física.
A maior parte da condenação — cerca de £2,5 milhões — refere-se à perda de ganhos, já que o satirista mantinha uma carreira próspera com críticas ao governo saudita. O homem permanece com depressão severa e dificuldade de retornar às atividades profissionais.
Enforcamento e reação
Al-Masarir afirmou à imprensa que a Arábia Saudita deve cumprir o pagamento ou enfrentar medidas de execução de dívida em ativos no exterior. O governo saudita não se pronunciou oficialmente sobre o veredito nem sobre o pagamento.
O britânico, asilado no Reino Unido desde 2018, descreveu a decisão como um sinal de que intervenções legais dentro do país não serão toleradas. Ele ressaltou que o caso demonstra a independência do sistema jurídico britânico frente a tentativas de imunidade estatal.
A pesquisa independente Citizen Lab, da Universidade de Toronto, já havia registrado infiltrações no telefone de al-Masarir, bem como de outros críticos sauditas. A revelação reforça o histórico de denúncias sobre abusos de direitos humanos ligados ao regime.
Entre na conversa da comunidade