Um réu fugitivo dos ataques aos Três Poderes de 8 de janeiro conseguiu obter um novo passaporte no México, apesar de mandado de prisão em aberto e de ter documento anterior apreendido. Com o novo documento, ele embarcou para a Europa e pediu proteção internacional à Espanha, que já havia concedido esse benefício a outro investigado.
Apolo Carvalho da Silva, de 28 anos, é investigado por incitação ao crime e associação criminosa. Segundo o portal, falhas no uso dos sistemas do Itamaraty e da Polícia Federal e na comunicação entre ambos permitiram a continuação de sua fuga, além da expedição do novo passaporte. O Itamaraty reconheceu erro e afirmou que houve concessão indevida, com o documento cancelado apenas em 29 de janeiro, após a reportagem.
Em 2024, Apolo integrou-se a outros investigados dos ataques e fugiu para a Argentina, depois passou pelo Peru e pela Colômbia, chegando ao México e, posteriormente, aos EUA, onde houve prisões. Agora, ele vive na Espanha, após ter feito o pedido de proteção internacional em Almería, com audiência prevista para 16 de abril.
Passaporte emitido no México
O novo passaporte foi expedido em 29 de setembro de 2025 pelo consulado mexicano, em substituição ao extraviado. A emissão ocorreu sem que houvesse verificação de mandado de prisão ou de ordens para cancelamento de documentos. O Itamaraty disse que Apolo solicitou urgência, alegou roubo de documentos e apresentou boletim policial.
No México, Apolo permaneceu por alguns meses antes de seguir para a Espanha. Na Espanha, o pedido de proteção internacional foi registrado em Almería; ele deve se apresentar na brigada da Direção Geral de Polícia em Almería no dia 16 de abril. A defesa já indicou que o objetivo é obter o mesmo desfecho de outros casos de asilo político.
Segundo despacho do STF de 2023, havia determinação para que Apolo ficasse em casa com tornozeleira eletrônica, não deixasse o país e entregasse o passaporte, com cancelamento de novos documentos pela PF e pelo Itamaraty. O documento emitido no México não foi informado como anulado até o momento pela instituição brasileira.
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