Palestinas que conseguiram retornar a Gaza após a reabertura gradual da passagem de Rafah relataram terem sido vendadas, algemadas e interrogadas por forças israelenses durante o percurso desde o Egito. O retorno ocorreu na segunda-feira, em meio a atrasos e à zona de controle israelense conhecida como linha amarela.
Apenas 12 pessoas passaram para Gaza na manhã de segunda, com 3 mulheres e 9 crianças liberadas até o fim do dia. Outras 38 pessoas aguardavam liberação para a passagem, segundo fontes palestinas e egipcianas. Presentes estavam sobretudo pacientes que buscavam tratamento médico.
Segundo relatos, as retornadas enfrentaram confisco de presentes, como brinquedos, na fronteira. Uma das mulheres descreveu a experiência como de grande constrangimento, destacando a distância entre a família e a cidade de origem.
Interrogatório e controle na zona de fronteira
Após cruzarem para o lado de Gaza, as mulheres seguiram num ônibus até a área controlada por milícias aliadas a Israel. Foram acompanhadas por veículos 4×4 de guardas, identificados como integrantes da Popular Forces, o braço militante conhecido como Abu Shabab.
Relatos indicam que as mulheres tiveram seus nomes lidos a viva voz e foram conduzidas por dois homens e uma mulher da milícia a um posto de segurança, onde houve o contato com forças israelenses. Afirmam ter sido usadas perguntas sobre Hamas e ataques de 2023.
A defesa israelense negou abusos ou maus-tratos e informou que houve um processo de identificação e triagem no centro de Regavim, sob gestão de estruturas de segurança, com monitoramento de especialistas europeus.
Contexto e cenário na fronteira
Rafah é a principal rota de saída de Gaza, que permanece sob restrições de acesso durante o conflito. O controle segue parcialmente mantido pela linha amarela, com a atuação de milícias locais. O objetivo declarado é facilitar a passagem médica, mas a operação tem gerado relatos de violações.
A reorganização recente envolve a liderança da milícia Popular Forces, que passou a atuar sob o comando de Ghassan Dahine após a morte de Yasser Abu Shabab. Autoridades israelenses destacam que o controle segue em parte sob coordenação de mecanismos de monitoramento conjunto.
De acordo com fontes egípcias, cerca de 20 mil moradores de Gaza aguardam tratamento no exterior. Mesmo com a reabertura, o fluxo permanece limitado e sujeito a controles de segurança em várias etapas da travessia.
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