Jeffrey Epstein trocou mensagens com Bill Burns, futuro diretor da CIA, conforme documentos obtidos pelo Guardian. Os papéis mostram planejamento de encontros entre os dois, com Epstein sugerindo que outras pessoas na sua órbita também o conhecessem. Os encontros ocorreram depois da condenação de Epstein, em 2008, por prostituição com menor de idade.
Burns, diplomata de carreira, foi indicado para chefiar a CIA em 2021. O porta-voz dele disse ao jornal que os dois não tinham relação e que Burns não conhecia Epstein além de apresentá-lo como especialista no setor financeiro. Afirmou ainda que Burns se arrepende de ter aceitado a reunião.
Os arquivos revelam mensagens de Epstein em 2013 sobre organizar encontros com Burns em Washington ou Nova York, quando Burns era subsecretário de Estado. Em 2014, Epstein voltou a mencionar Burns em conversas com outras fontes, sem que haja confirmação de participação efetiva de Burns.
A primeira reunião efetiva entre Epstein e Burns ocorreu em 21 de agosto de 2014, no escritório de Steptoe & Co. em Washington, durante o expediente de Burns. Segundo o material, o objetivo seria o avanço da carreira de Burns após deixar o governo.
Pouco tempo depois, Epstein passou a enviar mensagens sugerindo contatos com outras pessoas, como Peter Thiel, além de discutir viagens de Burns e horários de disponibilidade. O porta-voz de Burns disse que ele tentou chegar a um acordo para um encontro, mas que o eventual encontro não foi confirmado.
Em setembro de 2014, Epstein realizou novas tratativas para uma reunião em Nova York. Burns respondeu, mantendo disponibilidade, e houve nova tentativa de agenda. A troca de mensagens continua até semanas após o encontro, com Epstein perguntando sobre contatos.
De acordo com o jornal, Burns só soube da condenação de Epstein na Flórida meses depois da reunião e rompeu o contato. A divulgação aponta ainda que Epstein manteve referências a Burns em mensagens subsequentes, ainda que não haja evidência de envolvimento direto.
O material indica que Epstein acompanhava, por meio de rubricas, atividades de Burns, incluindo viagens a destinos como as Ilhas Virgens. O porta-voz de Burns enfatizou que o diplomata não conhecia Epstein além da apresentação inicial e que não houve envolvimento com os crimes de Epstein.
Os documentos incluem ainda menções a Burns em 2018, em meio a conversas entre Epstein e Steve Bannon. Em relato da assessoria, nunca houve confirmação de um encontro entre Burns e Bannon. A divulgação reforça a necessidade de apurar ligações entre figuras públicas e indivíduos condenados.
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