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Reunião com governo russo no Brasil pode afetar Lula e Trump

Reunião Brasil-Rússia reacende debate sobre neutralidade externa e pode ampliar atrito entre Lula e Trump

Lula (PT) se reuniu com o ditador da Rússia, Vladimir Putin, em maio do ano passado no Kremlin (Foto: EFE/EPA/MAXIM SHEMETOV / POOL)
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Em Brasília, o governo brasileiro organiza uma reunião nesta quinta-feira, 5, entre o primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin, ministros de alto escalão do Kremlin e a comitiva brasileira, para discutir cooperação entre Brasil e Rússia. O encontro, que retoma a CAN (Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação), busca ampliar a integração entre os dois países, suspensa desde 2015.

A 8ª Reunião da CAN ocorre em meio a tensões globais e ao esforço de diversificação de parcerias do Brasil. O objetivo é manter ações coordenadas entre ministérios e avançar em áreas como comércio, tecnologia e fertilizantes, com foco na redução de dependências estratégicas. A presença de autoridades russas sinaliza retomada de diálogo de alto nível.

Pressões e prioridades

Analistas destacam que um dos objetivos russos é preservar a dependência brasileira de fertilizantes russos, usados como moeda de troca político. Também podem pautar meios de pagamento em moedas locais, fora do dólar, como parte de estratégias para reduzir vulnerabilidade a sanções.

Contexto internacional

A reunião ocorre em um momento em que os EUA reforçam a pressão sobre a influência de Rússia e China na região. O governo brasileiro afirma que aCAN visa diversificação de parcerias e reforço do multilateralismo, sem apelo a mudanças abruptas de posição externa.

Reações no cenário interno

Especialistas avaliam que a aproximação com Moscou pode ser interpretada em Washington como alinhamento estratégico. Alguns apontam que a neutralidade tradicional perde espaço diante de disputas entre grandes potências e que o Brasil precisa equilibrar interesses sem soar como adversário de qualquer bloco.

Aspectos econômicos e estratégicos

Especialistas destacam limites econômicos da parceria Brasil-Rússia, com baixa complementaridade comercial. Risco principal seria ampliar cooperação em áreas sensíveis como defesa e tecnologia, o que pode atrair retaliações de parceiros tradicionais, especialmente dos EUA.

Contornos eleitorais

Analistas observam que o tema pode ganhar peso no debate eleitoral de 2026, com a oposição explorando possíveis impactos de alinhamento com a Rússia. Embora haja ceticismo sobre interferência russa direta, a pauta externa tende a influenciar estratégias políticas internas.

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