A família Davydenko, de Kyiv, dormiu coberta até o pescoço, com casacos e toucas, devido ao frio intenso. A residência na 12ª andar ficou sem energia elétrica por oito dias e sem aquecimento por quase duas semanas, em meio a temperaturas de até -20°C.
Com três filhos, dois gatos e dois cães, o casal deixou o apartamento e buscou abrigo mais quente. Encontraram no Piggy Cafe Kyiv um local com gerador e aquecimento, onde também é permitido interagir com animais. Após o expediente, dormiram no piso, sobre colchões, para descansar.
O grupo permanece em Kyiv, apesar de já ter deixado a cidade no início da invasão. A decisão de ficar está ligada à resistência local diante do conflito e ao desejo de manter o negócio da família aberto, com educação das crianças assegurada.
Contexto da crise energética
A energia elétrica tem sido reiteradamente alvo de ataques russos desde outubro do ano anterior, atingindo bairros e infraestrutura crítica. Dados indicam que, em 20 de janeiro, 5.635 prédios perderam aquecimento e cerca de um milhão de clientes ficaram desconectados de forma simultânea.
A residência da família fica a aproximadamente 4 km de uma grande usina termelétrica que tem sido alvo de ataques desde o fim de 2025, elevando a vulnerabilidade do entorno. O governo ucraniano ressalta que as ações russas visam degradar capacidades militares, não civis, segundo a narrativa oficial.
Vida cotidiana sob o frio extremo
Nas horas de escuridão, a família apela a soluções simples para sobreviver: lareiras improvisadas, refeições rápidas e atividades com animais para manter a rotina. No café, as crianças encontram leve alívio com chocolate quente e marshmallows, enquanto aguardam dias melhores.
Apesar das adversidades, a Davydenko mantém o negócio ativo e garante educação integral para Maksym, 11, Tymofiy, 6, e Stephanie, 2. O grupo também depende de apoio de redes de ajuda e de abrigos temporários na cidade, conforme o clima e a situação de energia.
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