Ninawa Huni Kui, líder Huni Kui do Acre, criticou o Science Museum pela sponsorship de BP pouco antes da abertura da mostra Water, Pantanal, Fire, que aborda a degradação climática no Brasil. O gesto é visto como conflito entre sponsor e tema.
A exposição foca o Pantanal, complexa planície alagada que atravessa Brasil, Paraguai e Argentina. O museu descreve o ecossistema como vulnerável por desmatamento, agropecuária intensiva e mudanças climáticas, com secas e incêndios recentes.
Huni Kui afirmou que os recursos recebidos são contaminados pela violência contra comunidades atingidas pela atuação de grandes empresas de petróleo, incluindo o setor público. O líder ressaltou repúdio a parcerias que envolvem o Estado.
A controvérsia envolve a relação entre o museu e grandes empresas de combustíveis, que buscam expansão de petróleo e gás, inclusive com projetos offshore no litoral brasileiro. A parceria é alvo de críticas de organizações ambientais.
Savio Carvalho, da ONG 350.org, disse que é contraditório um espaço científico financiar BP para discutir impactos climáticos no Brasil, enquanto a empresa sustenta um modelo de negócios baseado em combustíveis fósseis.
BP e Adani aparecem como financiadores do museu. As defensorias apontam riscos para ecossistemas locais, além de conflitos entre interesses da indústria e divulgação científica independente.
Reação de grupos ambientais
Isobel Tarr, da Culture Unstained, afirmou que obras sobre mudanças climáticas ganham força com apoio institucional, mas perdem legitimidade quando o museu mantém vínculos com grandes poluidores.
A situação ocorre em meio a boicotes em andamento contra o museu. Conselhos de educação e sindicatos de ensino solicitaram pausa em visitas escolares até que patrocínios sejam revisados.
Ponto de vista do museu
Um porta-voz do Science Museum afirmou que financiar projetos e manter a missão de divulgar ciência é essencial, destacando que a instituição é beneficente e depende de doações para manter espaços gratuitos e acessíveis.
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