O Museu de Hasakah, no nordeste da Síria, está prestes a abrir as portas ao público pela primeira vez, 24 anos após o início da construção. A instalação, que ficou fechada durante a guerra, foi ocupada pelas forças militares durante mais de uma década. A prefeitura local e uma ONG acompanham a inauguração como um possível passo de reconciliação regional.
A construção do museu começou em 2002, durante o regime de Bashar al-Assad, com o objetivo de abrigar artefatos de sítios próximos, como Tell Mozan, berço da antiga Urkesh. No entanto, o conflito interrompeu a obra antes da instalação da coleção.
Em 2011, as forças do governo ocuparam o prédio e o transformaram em base militar e depósito de armas, segundo Montasir Qasim, chefe do Departamento de Antiguidades da região de Al-Jazira. Com a intensificação dos combates, o centro de Hasakah ficou sob controle de diversas facções.
Entre 2016 e 2024, o que ficou conhecido como Hasakah Security Box abrigou prédios públicos, incluindo a própria museu. Em dezembro de 2024, as forças do governo se retiraram da cidade, abrindo espaço para entrada de autoridades civis e de organizações da sociedade civil.
Para muitos moradores, foi a primeira vez que o museu ficou acessível. A ONG Fight for Humanity e o governo local supervisionam a reabertura gradual, que envolve limpeza, retirada de estruturas bélicas e avaliação de danos. A próxima etapa é assegurar a coleção da museu.
A instituição ocupa três andares, com amplas galerias de artefatos e pinturas, uma entrada alta para peças de grande porte e um subsolo com áreas administrativas. O espaço é três vezes maior que o Museu de Raqqa, que sofreu saques durante a guerra.
A prefeitura removeu estruturas militares do edifício, como camas metálicas, munição e sacos de areia, em um esforço de restauro. A ONG busca financiamento para elétrica, encanamento e climatização, além de assegurar o acervo, hoje armazenado em depósitos regionais.
Ao lado da dimensão cultural, o museu ganha importância por sua localização e pela composição étnica de Hasakah, parte da região conhecida como Rojava. A área abriga comunidades árabe, kurda, armênia e assíria, entre outras, e tem passado por mudanças de controle político nos últimos anos.
Especialistas destacam o potencial do museu como espaço de convivência entre diferentes comunidades. De acordo com Balci, o acervo pode contribuir para a pacificação local, ao aproximar as pessoas por meio da memória histórica comum.
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