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Cuba estima prejuízo recorde de US$ 8 bilhões com embargo dos EUA

Valor é 7% maior que no período anterior e não inclui efeitos das novas sanções impostas por Washington

Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, durante coletiva de imprensa em Havana, em 7 de setembro de 2026. (Foto de Adalberto Roque/AFP)

Cuba informou, nesta segunda-feira (7), que o embargo imposto pelos Estados Unidos causou prejuízos de mais de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 40,9 bilhões) ao país entre março de 2025 e fevereiro de 2026. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, o montante é um “valor recorde”.

A cifra é 7% superior à registrada no período anterior e, segundo o chanceler, não inclui os prejuízos provocados pelo bloqueio ao fornecimento de energia imposto por Washington nos últimos sete meses nem pelas “sanções secundárias” aplicadas desde maio contra entidades cubanas.

Desde janeiro, o governo de Donald Trump ameaça impor sanções a países que forneçam combustível a Cuba, ampliando a pressão sobre uma economia já fragilizada pelas restrições americanas, em vigor desde 1962. Apenas um petroleiro russo atracou a ilha em 2026.

No início de maio, Washington também começou a aplicar um regime de “sanções secundárias” contra empresas estrangeiras que mantêm negócios com Cuba. Segundo o governo cubano, as medidas levaram diversas companhias a deixar o país, principalmente nos setores de turismo e mineração, duas importantes fontes de receita da ilha, que tem cerca de 9,4 milhões de habitantes.

“O bloqueio não pune um governo; pune o cotidiano de um povo em todos os seus aspectos”, afirmou Rodríguez.

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O chanceler disse ainda que o endurecimento das medidas impostas por Washington agravou a crise energética enfrentada por Cuba, onde os apagões podem durar mais de 60 horas consecutivas.

Segundo Rodríguez, as restrições ao fornecimento de combustível e a pressão sobre empresas de transporte marítimo dificultam a chegada de recursos à ilha e afetam serviços essenciais, como abastecimento de água, transporte e saúde.

Como exemplo, ele afirmou que algumas cirurgias precisaram ser realizadas com o auxílio de lâmpadas recarregáveis e lanternas de celulares usadas pelas equipes médicas.

Rodríguez também relacionou a deterioração das condições no país ao aumento da mortalidade infantil, que passou de 4 mortes a cada mil nascidos vivos, em 2018, para 9,9 em 2025.

Apesar do cenário, o chanceler descartou a existência de uma emergência humanitária no país. “Não há uma crise humanitária em Cuba”, afirmou. Ele também fez um apelo à solidariedade entre os cubanos.

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