A Daulatdia é uma vila de bordéis nações, onde crianças nascidas de mães trabalhadoras sexuais eram invisíveis no registro civil. Pela primeira vez, 400 crianças desse complexo recebem certidão de nascimento. A mudança ocorre após décadas de atuação de organizações de defesa e de campanhas que denunciaram a exigência de informações do pai, muitas vezes desconhecidas.
O avanço ocorreu graças a uma leitura mais ampla da legislação desde 2018, que permite registrar um nascimento mesmo sem informações completas dos pais. Campanhas apoiadas pela Freedom Fund e organizações locais recolheram dados, reuniram as famílias e encaminharam os documentos aos órgãos competentes. A mobilização reduziu barreiras administrativas.
Mais de 700 crianças não reconhecidas já foram registradas em Daulatdia e em outras bordéis, resultado do trabalho de redes civis que detectaram a lacuna legal antes ignorada. A atuação visa garantir direitos básicos, como escola, passaporte e, eventualmente, voto.
Impacto e desdobramentos
Aogenwort Acaku, coordenadora de programa da Freedom Fund no país, comenta que a ausência de certidão tira o indivíduo de qualquer cidadania formal. Com o documento, as crianças passam a ter acesso a serviços públicos e proteção contra exploração e tráfico. A rede de apoio continua monitorando casos remanescentes.
Akhter, que atua há décadas com crianças em situação vulnerável, destaca que a certidão é parte de um conjunto de direitos. Ela lembra que, sem o registro, jovens ficam mais expostos a abusos e dificuldades de provar idade para programas de educação.
Especialistas ressaltam que a mudança não resolve todos os problemas, mas reduz entraves estruturais. Em Daulatdia, mães têm encorajado outras mulheres a regularizar os filhos, consciente de que o documento facilita acesso à educação e a oportunidades futuras.
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