A Grécia emitiu uma ordem de detenção europeia contra o ativista norueguês Tommy Olsen, fundador da ONG Aegean Boat Report, por suspeita de tráfico de pessoas, facilitação de entrada irregular e participação em organização criminosa. Olsen, 53 anos, atua como guarda-parques e tem atuado desde a crise migratória de 2015 documentando chegadas irregulares e possíveis abusos nos controles fronteiriços.
A ordem foi apresentada num contexto de endurecimento da política migratória adotada pelo governo conservador de Kyriakos Mitsotakis. O objetivo official é ampliar o controle das fronteiras e restringir ações de organizações que auxiliam migrantes, sob a justificativa de combate ao tráfico.
O caso envolve acusações que remontam a 2021, quando Olsen e Panayote Dimitras, fundador do Greek Helsinki Monitor, teriam recebido informações sobre a chegada de migrantes e teriam repassado dados a autoridades. A denúncia aponta cooperação com dois suspeitos de tráfico e com envio de dados a autoridades para preencher processos de asilo.
No corrente recorte processual, Olsen foi informado pela polícia norueguesa e aguarda a tramitação via o sistema SIRENE, que gerencia alertas entre 31 países Schengen. A partir desse momento, pode haver prisão e eventual deportação, sujeita a acordos de extraditação entre Noruega e Grécia.
O advogado de Olsen, Zac Kesses, destaca que trata-se de uma possível escalada para criminalizar a vigilância independente de direitos humanos no Egeu. Ele aponta que a admissibilidade de uma extradição depende de garantias judiciais e provas, sujeitas à avaliação das autoridades norueguesas.
Defensores de direitos humanos, como Amnistía Internacional, ressaltam que a reforma migratória na Grécia amplia penas para redes de tráfico, mas também aumenta a pressão sobre ativistas e voluntários. A organização lembra que o marco atual não exige prova de benefício econômico para ações humanitárias.
A acusação sustenta que Olsen colaborou para facilitar a entrada e residência de estrangeiros em cooperação com Dimitras e dois traficantes. O documento formal também alega que o ativista encaminhou informações a autoridades gregas com dados de migrantes para inclusão em processos de asilo.
Ainda não houve notificação oficial da ordem a Olsen. O caso já provocou críticas de organizações que acompanham a situação de direitos humanos e de vítimas de tráfico, destacando o risco de criminalizar quem atua na defesa de migrantes.
A atualização mais recente envolve a tramitação entre autoridades gregas e norueguesas, com a cooperação prevista para a execução de eventual extradição. Analistas ressaltam que o desfecho dependerá de decisões judiciais em ambos os países e de salvaguardas legais vigentes.
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