O Irã vive uma campanha de repressão após a mortandade de civis em protestos que começaram no fim de dezembro. Segundo organizações de direitos humanos, forças de segurança lançaram operações maciças durante a madrugada, prisões em casa e detenções secretas em várias cidades.
A Center for Human Rights in Iran (CHRI) ouviu mais de 30 testemunhas diretas sobre ataques noturnos, buscas sem mandado, agressões a familiares e prisões de quem ajudou manifestantes ou expressou apoio online. O padrão aparece em cidades como Kerman, Khorramabad, Andimeshk, Qorveh, Mahabad, Gorgan e Arak.
Duas a três pessoas são mantidas sob custódia sem registro oficial em prisões, com acesso negado a advogados e familiares. Muitas detidas não aparecem em sistemas prisionais formais e são encaminhadas a locais não regulados, como armazéns ou edifícios abandonados.
As condições nas chamadas “unidades negras” elevam o risco de tortura, forçamento de confissões e mortes. Falta de trilhas documentais impede acompanhamento de familiares, que enfrentam dificuldades para verificar se há atualização sobre seus entes queridos.
A CHRI registra ainda que hospitais funcionam como extensões da repressão. Em várias ocasiões, equipes de segurança entraram em prontos atendimentos e pressionaram médicos a reportar pacientes. Alguns feridos evitaram atendimento hospitalar por medo de represálias.
A repressão é mais intensa nas áreas provinciais, onde o controle é mais rígido e a vigilância mais intensa. Em comunidades pequenas, a presença de seguridade e drones busca impedir qualquer novo registro de revolta popular.
Detenção clandestina e risco à população
Especialistas afirmam que esse conjunto de ações pode configurar crimes contra a humanidade. Prisões em locais sem supervisão judicial, sem registro e sob sigilo criam um ambiente de impunidade e violência institucional.
Reação internacional e medidas propostas
Críticos e governos pressionam pela libertação imediata de todos os detidos ligados aos protestos. Sanções focalizadas devem alcançar autoridades, juízes e agentes de segurança responsáveis por prisões em massa e abusos.
Analistas defendem a documentação contínua de evidências e a proteção de testemunhas. Acesso à internet sem censura no Irã e vias de proteção para ativistas, médicos e familiares também são defendidos como prioridade.
As organizações apontam que o destino dos dissidentes depende de vigilância internacional constante e ação prática. A gestão das denúncias não pode terminar com meras declarações públicas após episódios de violência.
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