Narges Mohammadi, laureada com o Nobel da Paz em 2023, foi transferida para uma prisão no norte do Irã sem aviso prévio, segundo informações da família. A líder do movimento em defesa de direitos humanos estava detida em Mashhad, no leste do país, após declarações públicas durante um funeral.
A transferência ocorreu após uma sequência de prisão, internação e episódios de greve de fome. Mesmo sob vigilância rigorosa, a família disse que Mohammadi não foi comunicada previamente sobre a mudança de unidade prisional. O marido, Taghi Rahmani, informou pela rede social X que a decisão parece visar o exílio e deslocamento da ativista.
Transferência e estado de saúde
A fundação de Mohammadi confirmou a transferência na terça-feira, mas a notícia só chegou à família no sábado, durante uma ligação com o advogado iraniano Mostafa Nili. Segundo o advogado, Mohammadi descreveu violências durante a prisão, interrogatórios intensos e pressões físicas severas.
Apenas duas ligações com advogados iranianos foram autorizadas desde a detenção. Nili relatou que Mohammadi sofreu fortes golpes na cabeça, causando tontura, visão dupla e visão embaçada, com marcas de agressão no corpo. A ativista tem 53 anos e já foi presa diversas vezes por atividades contra a pena de morte e o uso obrigatório de véu.
Contexto judicial e histórico
Mohammadi recebeu o Nobel da Paz em reconhecimento a mais de duas décadas de atuação em defesa de direitos humanos. Nos últimos meses, ela recebeu novas condenações, incluindo seis anos de prisão por prejudicar a segurança nacional e um ano e meio por propaganda contra o regime islâmico. O caso ocorre em meio a protestos nacionais que deixaram muitos mortos, segundo organizações de direitos humanos.
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