O desaparecimento de Ángel Montenegro, em agosto de 2022, evidencia a ampliação da crise no México. O jovem de 31 anos foi levado por homens em uma van branca enquanto aguardava um ônibus em Cuautla, para retornar a Cuernavaca. O colega dele foi libertado no trajeto, mas Montenegro não.
A família de Montenegro deslocou-se a Cuautla assim que soube do sequestro. Na chegada, encontraram apenas o boné dele e um tênis. Passaram o dia procurando por pistas, sem êxito, e a angústia aumentou quando a noite caiu.
Hoya com que o país enfrenta o fenômeno, mais de 130 mil pessoas estão registradas como desaparecidas ou dadas como desaparecidas no México. O caso de Montenegro ilustra o que pesquisadores descrevem como violência letal que se espalha pelo território.
O que diz o estudo sobre as causas
Um relatório da México Evalúa aponta que, na última década, os desaparecimentos cresceram mais de 200%. A escalada acompanha a expansão de grupos criminosos, que ampliam atividades além do tráfico de drogas.
Segundo analistas, a descoberta de corpos ocultos mostra como as gangues elevam o controle territorial. Prisão, recrutamento forçado e eliminação de rivais são estratégias para consolidar poder.
Paralelamente, há registros de sequestros ligados a tráfico de pessoas, tráfico sexual e contrabando de migrantes. As autoridades enfrentam dificuldade para acompanhar o ritmo da violência.
Desafios da resposta governamental
O governo tem encontrado dificuldades para enfrentar a expansão das redes criminosas. Áreas inteiras do país ficam sob domínio de facções, dificultando investigações e localizações de desaparecidos.
Em 2018, foi criada a Comissão Nacional de Busca para rastrear os desaparecidos e incentivar denúncias. A plataforma pública de dados registrou ocorrências, mas sofreu problemas de financiamento e de gestão.
Antes das eleições de 2024, houve uma revisão contábil do registro, reduzindo o número de desaparecidos para 12.377. Ativistas e especialistas de direitos humanos criticaram a medida e pedem maior transparência.
Analistas destacam que o número efetivo de desaparecidos pode ser ainda maior. Investigações costumam ser lentas, com denúncias de corrupção e falhas estruturais.
Patrícia García, mãe de Montenegro, tornou-se coordenadora de um grupo de 12 mulheres que busca voluntariamente por pistas. Elas já encontraram vestígios em áreas de Cuautla, mas não o paradeiro do filho.
O trabalho do grupo envolve buscas semanais, com uso de ferramentas simples para sondar o solo. A experiência tem sido devastadora para as famílias, que conciliam a dor com a continuidade da busca.
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