As sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos contra oficiais do Tribunal Penal Internacional (TPI) atingiram, entre outros, dois juízes da Corte sediada na Haia. Entre os afetados, a canadense Kimberly Prost, que atua como juíza, e a peruana Luz del Carmen Ibáñez Carranza. A ofensiva vem sendo implementada desde o retorno de Donald Trump ao poder, com medidas que atingem contas pessoais, transações financeiras e serviços digitais.
Segundo relatos, Prost teve cartões de crédito, contas na Amazon e no Google cancelados, além de restrições que dificultam tarefas diárias como viagens, reservas e pagamentos. A juíza afirma que as sanções representam um ataque direto à capacidade de exercer suas funções de forma objetiva e independente.
Ibáñez Carranza descreve impactos semelhantes para sua vida pessoal e profissional. O banco na Holanda cancelou o cartão de crédito dela, e a filha, que não atua no ICC, teve visto americano negado e contas vinculadas ao Google desativadas. Ela aponta que o alcance das medidas já afeta famílias de oficiais da Corte.
Contexto e reação internacional
As sanções, impostas por meio de uma ordem executiva, foram justificadas pelo governo dos EUA como resposta a investigações do TPI que envolvem autoridades americanas e israelenses. Até o momento, 11 funcionários da corte — incluindo o procurador-chefe e nove juízes — foram incluídos na lista de sanções, com restrições de viagem e potencial sanção a empresas que prestam serviços ao TPI.
Instituições de diversos países se mostraram contrárias às medidas, afirmando que aumentam o risco de impunidade por crimes graves e podem erodir o estado de direito. Mesmo com o peso financeiro norte-americano, o TPI reforçou que as sanções não impediram a continuidade de suas atividades, adotando salvaguardas para manter a independência de suas investigações e julgamentos.
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