O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará a Washington em março, em meio a uma reviravolta tarifária que pode redesenhar a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. O tema central da pauta envolve extradição de criminosos, terras raras e uma sinalização clara de que o Brasil quer deixar de ser apenas fornecedor de matéria-prima.
A viagem ocorre em um momento favorável para Brasília. A Suprema Corte americana derrubou parte das sobretaxas impostas por Trump, o que coloca o Brasil em posição mais confortável nas negociações. O governo brasileiro resistiu a acordos apressados, adotando cautela desde o início.
Durante a recente passagem pela Índia, Lula indicou alívio por não ter aceitado termos rapidamente após o anúncio do tarifaço original. Ele criticou a forma como as tarifas foram comunicadas, via redes sociais, e relatou dificuldades técnicas para dialogar com Washington.
Pouco tempo depois da decisão da Suprema Corte, a Casa Branca acionou medidas de tarifas emergenciais sob a Seção 122 da Lei Comercial de 1974. Inicialmente em 10%, subiu para 15% no dia seguinte; as tarifas devem vigorar por até 150 dias, com objetivo de proteger as contas externas dos EUA.
Para o Brasil, a redução das tensões traz benefícios imediatos ao mercado. O Ibovespa atingiu novas máximas, e empresas com forte ligação aos EUA, como Embraer e Taurus Armas, registraram valorização. Especialistas veem a decisão como incremento da segurança jurídica para exportadores brasileiros.
Além da pauta comercial, Lula pretende levar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a Washington. A hipótese é fortalecer cooperação no combate ao crime organizado transnacional e debater a extradição de brasileiros acusados de crimes nos EUA.
A инициативa também envolve o setor de minerais críticos. O Brasil avança a ideia de ampliar o processamento local de terras raras, não mais apenas exportando matéria-prima. A viagem à Índia reforçou a parceria com foco em saúde, defesa e tecnologia digital, com meta de US$ 30 bilhões em comércio bilateral até 2030.
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