Hussain Khrais, de 66 anos, reparou e tornou a casa em Khiyam, no sul do Líbano, o símbolo de reconstrução após danos na ofensiva de 2024 entre Israel e Hizbollah. Agora, com a eclosão de um novo conflito, sua residência volta a figurar na linha de fogo.
Ele deixou a cidade a cerca de cinco km da fronteira com Israel quando Israel intensificou ataques aéreos na semana passada, em retaliação aos ataques de Hizbollah com foguetes e drones. Khrais busca abrigo temporário perto de Beirute com a família.
Do alto de uma varanda, ele descreve a apreensão de ver a casa sob risco, e admite que ainda não sabe se voltará a Khiyam. A família permanece em um abrigo precário, fear de perder tudo de novo.
Khrais não recebe apoio direto do Estado libanês e depende de recursos privados para reconstrução. A situação econômica do país, agravada pela crise financeira de 2019, dificulta o acesso a poupanças.
Não houve confirmação sobre o estado atual da casa, mas Khrais diz manter a esperança de que permaneça de pé. Caso tenha sido destruída, ele repetirá o processo de reconstrução, como tem feito ao longo da vida.
O novo conflito já deslocou cerca de 300 mil pessoas nos últimos dias, ampliando o quadro de refugiados e afetando aproximadamente 8% do território libanês. Famílias seguem com a incerteza sobre o retorno.
Khrais está entre cerca de 20 parentes deslocados que estão com ele, vindos de Khiyam ou dos subúrbios do sul de Beirute, atingidos por ataques aéreos. Monitorado pela TV, ele acompanha o avanço de tropas e tanques na região.
A situação amplia uma narrativa de décadas de deslocamentos no Líbano, com Khrais relatando que, ao final, o retorno envolve reconstrução e recomeços, repetindo ciclos de deslocamento e retorno.
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