O Parlamento do Líbano aprovou a extensão de dois anos do mandato da Câmara, até 2028, cancelando as eleições previstas para este mês. A decisão ocorre em meio à guerra com Israel e aos conflitos regionais.
O primeiro-ministro Nawaf Salam reiterou ao L’Orient-Le Jour a disposição do governo para negociações diretas com Israel, com participação civil e apoio internacional. O presidente Joseph Aoun endossou a mensagem; porém, ainda não houve resposta de Israel.
O ministro da Saúde libanês informou que o conflito já deixou mais de 400 mortos no país, entre eles 83 crianças, 42 mulheres e mais de uma dezena de paramédicos. Bombardeios atingiram áreas próximas a Tiro e Beirute, segundo o governo.
O Ministério da Defesa Civil denunciou ataques contra dois postos no Tayr Deba e Jwaya, com 16 mortos, incluindo dois resgatistas, e 40 feridos. A entidade acusou Israel de desrespeitar leis internacionais.
Human Rights Watch classificou os ataques como ilegais e indiscriminados, com uso de fósforo branco em áreas residenciais do sul libanês. A ofensiva israelense prossegue há oito dias, com bombardimentos aéreos em Beirute.
Durante as ações, cerca de 600 mil libaneses estariam deslocados, segundo autoridades. Em Beirute, aviões israelenses teriam atingido filiais de uma instituição financeira associada a Hezbolá, elevando a tensão política local.
Extensão do mandato e impacto político
Setenta e seis deputados aprovaram a prorrogação, entre 128. Ocoligação pró-Hezbolá, com 13 integrantes, apoiou a medida. Críticos cristãos de três formações se manifestaram contra a extensão, alegando incerteza de legitimidade sem eleições.
O governo tem sido pressionado a justificar a medida diante do contexto de deslocamento em massa e da alta mobilização militar na região. A extensão do mandato evita eleições em um momento de insegurança prolongada.
Caminhos para negociações com Israel
Salam afirmou que o Líbano está pronto para negociações diretas com Israel, incluindo componente civil sob supervisão internacional. Auna e o governo destacaram a necessidade de abrir canal de diálogo para buscar alto ao fogo.
Aoun indicou que mais de 600 mil deslocados complicam a normalização institucional. O presidente pediu negociações diretas sob patrocínio internacional, visando cessar-fogo, fim da ocupação e fortalecimento do exército local.
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