A Ucrânia atacou nesta quinta-feira (15) uma refinaria de petróleo da Rússia, depois que o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que Kiev deixou de apoiar o cessar-fogo contra alvos de energia anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o líder ucraniano, Moscou havia ignorado a trégua.
Desde que Trump surpreendeu ao anunciar a trégua energética entre Rússia e Ucrânia, no domingo, Kiev vinha evitando atingir refinarias russas. O americano responsabiliza esses ataques pela alta do preço do diesel no mercado internacional.
Nos dias seguintes, porém, a Rússia lançou uma série de ataques letais com mísseis e drones, que atingiram inclusive usinas de energia e deixaram centenas de milhares de pessoas sem eletricidade.
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Em entrevista ao jornal Financial Times publicada nesta quinta, Zelensky disse que a paciência da Ucrânia chegou ao fim. “O bloqueio (aos ataques contra refinarias) acabou. Para nós, chega”, afirmou.
Maior distanciamento entre Kiev e Washington
Ao ignorar na prática a exigência de Trump para que a Ucrânia suspendesse os ataques a refinarias, Zelensky arrisca aprofundar a maior ruptura entre Kiev e Washington desde a invasão russa, em fevereiro de 2022.
Embora Trump tenha apresentado o cessar-fogo como uma obrigação tanto de Moscou quanto de Kiev, suas declarações públicas miraram sobretudo as ofensivas ucranianas contra refinarias russas. No fim de semana, ele disse que era melhor que esses ataques “parassem de uma vez por todas”.
Trump mantém há tempos uma relação tensa com Zelensky e chegou a repreendê-lo na Casa Branca em fevereiro de 2025.
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A mudança de postura de Trump em relação a Kiev nos últimos dias, porém, é praticamente inédita. Na semana passada, ele irritou os ucranianos ao retirar de repente as sanções ao diesel russo e, em seguida, defendeu que a Ucrânia substituísse Zelensky.
Em Kiev, o receio é que o afastamento tenha reflexos graves na linha de frente, já que as tropas do país ainda dependem de tecnologia fornecida por Washington.
Nos últimos dias, autoridades ucranianas relataram que deixaram de receber os alertas que os aliados ocidentais costumam enviar sobre mísseis russos prestes a atingir o país, baseados em sensores de satélites americanos.
O governo americano nega ter deixado de repassar dados de inteligência a Kiev. Segundo Zelensky, as autoridades ucranianas foram informadas de que a ausência dos avisos se devia a uma falha técnica.
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Refinaria atingida ajuda a abastecer Moscou
Nos últimos meses, a Ucrânia tem usado drones de longo alcance contra refinarias e estruturas logísticas da Rússia. Kiev afirma que essa é sua única forma de reagir a quase cinco anos de bombardeios russos incessantes. As ofensivas provocaram falta de combustível no território russo.
Trump, pressionado a baixar o preço dos combustíveis, em especial do diesel, diz que os ataques ucranianos elevam as cotações internacionais. O diesel bateu recordes desde que os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Irã, em fevereiro.
O alvo mais recente da Ucrânia foi uma refinaria na região de Ryazan, a sudeste de Moscou. A unidade, que pertence à gigante estatal Rosneft, responde por quase 5% do petróleo refinado na Rússia e ajuda a abastecer a capital.
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Segundo o governador da região, Pavel Malkov, um grande ataque com drones ucranianos causou um incêndio na refinaria. Em publicação no Telegram, ele disse que equipes de emergência estavam no local e que os danos ainda eram avaliados.
Uma autoridade ucraniana confirmou o ataque, realizado durante a noite, e disse que a ação respondeu aos pesados bombardeios com mísseis balísticos e drones lançados por Moscou nesta semana, em violação à trégua energética.
*Com informações da Reuters
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