SINGAPORE/JAKARTA — Uma onda de radicalização entre adolescentes inspira ataques inspirados por supremacistas brancos nações do Sudeste Asiático. Em Jakarta, um ataque a uma escola no início de novembro deixou 96 feridos. A polícia informou que o suspeito carregava um rifle de brinquedo com inscrições ligadas a assassinos em massa de supremacia branca.
Ao todo, pelo menos 97 jovens estão sob monitoramento após serem expostos a conteúdos que exaltam violência de massa e ideologias extremistas, principalmente em canais de mensagens. Dois casos já indicaram planos de violência após o atentado de Jakarta, segundo autoridades.
O fenômeno não se restringe à Indonésia. Em países como Singapura, Malásia, Tailândia e Filipinas, autoridades relatam aumento de jovens planejando ataques inspirados por extremistas de direita. A presença de conteúdo extremista em plataformas digitais tem sido apontada como fator-chave.
Cooperação regional e plataformas digitais
Não brilha apenas a atuação policial. Singapura deteve quatro jovens desde 2020 por se envolverem com ideologias extremistas de direita e planejarem ataques, segundo o Internal Security Department. Autoridades destacam que nem todos os envolvidos são brancos, mas muitos passaram por radicalização por meio de comunidades online.
Telegram, foco central de divulgação, é apontado por autoridades como canal de recrutamento e de criação de senso de pertencimento entre os jovens. A plataforma afirma manter diálogo com autoridades e remover conteúdos que violem os termos de serviço quando denunciados.
Em uma linha comum aos casos, jovens radicalizados por conteúdos de extremismo são descritos como dispostos a adotar discursos de violência para manter a suposta composição racial ou religiosa existente em seus países.
Contexto regional e esforços de reabilitação
Especialistas ressaltam que muitos jovens sob vigilância apresentam vulnerabilidades como isolamento e niilismo, o que facilita a adesão a mensagens de ódio. O estudo de padrões na região aponta que algoritmos de redes sociais podem sugerir conteúdos extremistas a usuários jovens.
Entre as medidas, Indonésia planeja restringir o acesso de menores de 16 anos a redes sociais, como parte de ações para conter a radicalização. Em Singapura, entidades como o Grupo de Reabilitação Religiosa trabalham com adolescentes detidos para promover reinserção social.
O caso de Jakarta envolve um menor sob custódia de assistência à criança, com a acusação ainda sem denúncia formal. Familiares indicam desejo de evitar punição severa, buscando apoio psicossocial e orientação.
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