Nos últimos dias circula nas redes sociais um vídeo que mostra várias mãos saindo de supostas covas rasas, com a afirmação de que cristãos teriam sido enterrados vivos na África. As imagens não apresentam data, local ou contexto confiável.
Publicações em Instagram e X relatam o episódio sem informações verificáveis, com expressões mencionando misericórdia. A peça tem sido compartilhada para sugestão de perseguição religiosa, mas carece de confirmação.
Segundo a verificação realizada pela Grok, o vídeo é de criação artificial e sua autenticidade é baixa. A plataforma afirma que não há registros confiáveis de cristãos enterrados de forma semelhante pelo Boko Haram na Nigéria recentemente.
Verificação de autenticidade
A Agência Lupa, em parceria com o Projeto Bereia, aponta sinais de manipulação. Ferramentas de IA detectam deformações em mãos e dedos, sugerindo montagem. Hive Moderation indica 97,7% de probabilidade de uso de IA; Sight Engine aponta 61% de probabilidade de edição digital.
Versões anteiores do vídeo aparecem com locais diferentes, como Sudão, Nigéria ou África, mantendo a mesma composição. Esse padrão reforça a hipótese de conteúdo fabricado para viralizar.
Elementos visuais indicam geração por IA, com mãos deformadas, simetria das covas, falta de variação de movimento e rigidez dos braços, além de qualidade incompatível com gravações de campo. Conferem as mesmas análises das agências citadas.
Contexto e conclusão
Embora haja perseguição documentada a cristãos em Sudão e Nigéria, não há registro confiável de episódios de enterro vivo, conforme a Lista Mundial da Perseguição 2026 da Portas Abertas. As imagens, portanto, não correspondem aos relatos vinculados a esses países.
O conjunto de verificações indica que o vídeo apresentado é falso e não retrata um episódio real da perseguição religiosa na África. Fontes oficiais corroboram a ausência de registros desse tipo.
Entre na conversa da comunidade