O Brasil integrou um grupo de 38 países, incluindo China e membros da União Europeia, que se comprometeram a triplicar o uso da energia nuclear até 2050. O anúncio ocorreu ontem, em Paris, durante evento organizado pelo presidente Emmanuel Macron, marcado por protestos nas imediações. Dois ativistas do Greenpeace invadiram o palco com faixas contra a nuclear.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou uma estratégia para estimular pequenos reatores modulares, oferecendo garantia de € 200 milhões para incentivar investimentos privados. Em seu discurso, ela reconheceu falhas passadas da Europa na área nuclear e chamou a agenda de virar o jogo.
Europa: estratégia e respostas
Von der Leyen afirmou que a energia nuclear pode ajudar a reduzir emissões e ampliar a confiabilidade do sistema elétrico. Em contrapartida, o chanceler alemão Friedrich Merz disse que a decisão de manter a Alemanha sem nuclear é irreversível, apontando foco atual em renováveis e carvão.
Brasil e o papel do setor privado
No Brasil, o Itamaraty destacou, em nota, mais de quatro décadas de operação segura das usinas de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. A discussão atual envolve a continuidade da usina Angra 3, paralisada há anos e alvo de deliberação do CNPE, com necessidade de dezenas de bilhões de reais.
O Ministério de Minas e Energia mantém o apoio à conclusão de Angra 3, reiterando o interesse de atrair capital privado para o setor. A participação do setor privado passa a ganhar impulso com a recente aquisição majoritária da Eletronuclear pela Amber Energia, controlada pelos irmãos Batista, via Grupo J&F Investimentos, que detém 68% da controlada, enquanto o governo permanece com cerca de 65% de ações com direito a voto.
Essas movimentações ocorrem em meio a histórico de tentativas brasileiras de destravar o projeto, desde planos apresentados até episódios posteriores a Fukushima, com diferentes gestões buscando retomar a construção de novas usinas nucleares.
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