Os primeiros-ministros da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte devem assinar nesta segunda-feira (14), em Cardiff, um documento conjunto que reivindica o direito de cada nação realizar referendos sobre independência. Segundo apuração do jornal britânico The Telegraph, será o primeiro movimento formal de cooperação entre as três regiões em direção a uma eventual dissolução do Reino Unido.
O documento será apresentado como um memorando de entendimento e prevê cooperação entre os três governos em quatro áreas: economia, energia, relações com a Europa e autodeterminação.
De acordo com o Telegraph, o texto defenderá que Escócia e País de Gales passem a integrar a União Europeia como países independentes, enquanto a Irlanda do Norte faria parte do bloco por meio de uma eventual reunificação com a República da Irlanda.
O acordo também deve sustentar que o atual modelo econômico do Reino Unido não está funcionando para a população das três nações. Após a assinatura, os líderes devem conceder uma entrevista coletiva.
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Partidos pró-independência governam as três nações
A articulação ocorre em um cenário inédito. Pela primeira vez, as três nações com governos autônomos dentro do Reino Unido são comandadas simultaneamente por partidos favoráveis à independência ou à reunificação irlandesa.
No País de Gales, o Plaid Cymru tornou-se o maior partido do Senedd após as eleições de maio, levando Rhun ap Iowerth ao cargo de primeiro-ministro.
Na Escócia, o Partido Nacional Escocês (SNP) permanece como principal força política, apesar de ter perdido seis cadeiras no Parlamento. Na Irlanda do Norte, o Sinn Féin governa sob a liderança de Michelle O’Neill desde 2024 e é apontado como favorito para permanecer no poder após a eleição do próximo ano.
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Segundo fontes ouvidas pelo Telegraph, a reunião também pretende aumentar a pressão sobre o primeiro-ministro britânico Andy Burnham.
Dias antes da cúpula, Burnham afirmou na Câmara dos Comuns que poderia permitir um novo referendo sobre a independência da Escócia caso houvesse um “consenso claro” da população a favor da votação.
Swinney fala em futuro “pós-Reino Unido”
O primeiro-ministro escocês e líder do SNP, John Swinney, afirmou neste domingo (13) que a atual configuração política mostra que “o status quo não é sustentável”.
“Pela primeira vez na história, a Escócia, o País de Gales e a Irlanda do Norte são liderados por primeiros-ministros pró-independência […] Westminster precisa se preparar para um futuro pós-Reino Unido”, declarou.
Swinney também afirmou que Burnham precisa considerar a possibilidade de “entrar para a história como o último primeiro-ministro do Reino Unido”.
Uma fonte ligada ao Plaid Cymru, ouvida pelo Telegraph, defendeu que os partidos das três nações têm a ganhar ao trabalhar juntos em áreas de interesse comum.
Já uma fonte do Sinn Féin afirmou que a reunificação da Irlanda “não é uma aspiração distante” e defendeu o início do processo de construção de uma nova Irlanda com base no direito à autodeterminação previsto no Acordo da Sexta-Feira Santa.
Trump diz que “adoraria” ver uma Irlanda unificada
A articulação entre Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte ocorre poucos dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defender publicamente a possibilidade de reunificação da Irlanda.
Durante uma visita a Dublin no sábado (12), Trump afirmou que “adoraria” ver uma Irlanda unificada.
“Do meu ponto de vista, isso acabará acontecendo. Pode muito bem acontecer agora”, disse a jornalistas.
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Governo britânico rejeita novo referendo no curto prazo
Apesar das declarações anteriores sobre a possibilidade de uma nova consulta popular, Burnham afirmou em uma carta enviada a Swinney na quinta-feira (10) que um novo referendo sobre a independência escocesa está “fora de questão” antes das próximas eleições gerais.
O premiê argumentou que não existe consenso suficiente para uma nova votação e afirmou que também não há uma base clara para concluir que a maioria da população da Irlanda do Norte deseja deixar o Reino Unido.
Burnham citou ainda o manifesto trabalhista de 2024, que rejeita apoio à independência ou à realização de um novo referendo, e afirmou que retomar essa discussão desviaria o foco do governo de temas como crescimento econômico e custo de vida.
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