Uma mulher nas Filipinas relata que recebe menos de 2 dólares por hora para fingir ser uma criadora de conteúdo do OnlyFans e conversar com fãs em chats, em trabalho contratado por terceiros. A prática ocorre mesmo com criadores de destaque faturando milhões.
Segundo ela, operava por meio de uma agência que a contratava para simular ser uma modelo da plataforma, com turnos de oito horas, cinco dias por semana. O objetivo era gerar centenas de dólares em vendas de fotos e vídeos para a criadora.
Ela descreve o trabalho como desolador: a conversa com fãs, muitas vezes várias por hora, envolve conteúdo explícito e sexting. Apesar de alguns fãs parecerem gentis, o contexto é triste por não ser a pessoa que fingia ser.
A BBC não identificou a entrevistada para proteger a identidade. Ela afirma que sabia da natureza explícita do trabalho, mas reconhece o desconforto de enganar as pessoas para vender conteúdo.
Interessada em melhorar as condições, uma nova agência ofertou remuneração acima da faixa anterior, ainda assim abaixo de 4 dólares por hora. Mesmo assim, a produção de chats permanece desagradável para ela.
Existem riscos legais, especialmente devido às leis rígidas sobre pornografia nas Filipinas. A funcionária teme consequências legais ao aceitar esse tipo de tarefa.
O caso envolve ações judiciais movidas por usuários e escritórios de advocacia contra o OnlyFans e as agências que contratam chatters, alegando prática enganosa. Até o momento, nenhum processo teve sucesso.
O sindicato BIEN, representando trabalhadores de terceirização, aponta preocupação com a natureza pouco regulamentada desse tipo de trabalho online. A entidade busca diretrizes de segurança e proteção trabalhista.
Apesar das ressalvas legais, o trabalho remoto também é visto como oportunidade. Cabalona argumenta que a função pode permitir renda de casa e o desenvolvimento de habilidades digitais, com potencial de ganhos superiores a algumas atividades locais de entrada.
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