O governo de Donald Trump lançou uma ofensiva para a militarização da América Latina, anunciada na Flórida, após a interrupção de uma agenda no Irã. A iniciativa envolve a formação de uma aliança militar entre Washington e uma dezena de países da região, sob o rótulo de “Escudo das Américas”.
Na prática, o esforço sinaliza uma subordinação maior do continente ao poderio militar dos EUA. O discurso apontou a disposição de alocar mísseis e executar ações caso seja necessário, colocando o tema como prioridade da agenda presidencial.
Atores e escopo da aliança
Entre os signatários estariam países como Argentina, Chile, Paraguai e Panamá, segundo autoridades norte-americanas. Observadores destacam que Colômbia e México não foram convidados, o que levanta questionamentos sobre o alcance da cooperação.
O governo brasileiro, por sua vez, relatou interesse de discutir a classificação de facções criminosas como grupos terroristas, o que, na prática, permitiria ações adicionais em território brasileiro. Até o momento, não houve confirmação de medidas aplicadas no país.
Parcerias, bases e acordos
Um dos acordos firmados prevê a possibilidade de bases militares norte-americanas no Paraguai, com imunidade total a militares e civis norte-americanos, além de isenção de impostos. A vigência do tratado depende de ratificação local.
O Equador aparece como foco adicional. Em Quito, negociações avançaram com o objetivo de cooperação em segurança marítima, planejamento conjunto e troca de informações. A cooperação também envolve ações coordenadas contra o narcotráfico.
Incentivos comerciais e resposta regional
Além da militarização, a ofensiva inclui benefícios comerciais para países parceiros. O governo equatoriano avalia assinatura de acordo para ampliar exportações aos EUA, com promessas de prosperidade mútua.
Argentina, El Salvador e Guatemala firmaram acordos que restringem cooperação com a China em setores estratégicos, incluindo cooperação espacial. Tais acordos são apresentados como parte da reorientação geopolítica da região.
Desafios e cenário estratégico
Analistas ressaltam que a retirada de protagonismo chinês na região não é simples. A China mantém uma força-tarefa diplomática atuante e registrou recordes de comércio com a América Latina em 2024, acima de 500 bilhões de dólares.
Apesar dos esforços norte-americanos, autoridades observam que a competição estratégica com a China envolve redes de portos, infraestrutura tecnológica e comércio, fatores que podem limitar avanços rápidos na agenda de militarização.
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