A África do Sul endossou a Declaração para Triplicar a Capacidade de Energia Nuclear até 2050, assinada por 34 países, durante a cúpula do Clima da ONU em Dubai, em 2023. A decisão foi anunciada na Africa Energy Indaba, realizada em Cape Town no dia 5 de março de 2026. O objetivo é ampliar a participação da energia nuclear no mix energética do país.
Tsakane Khambane, porta-voz do Ministério da Eletricidade e Energia, afirmou por e-mail que o gesto é um marco com alcance além das fronteiras. Segundo ele, a medida reforça compromisso com segurança energética, ampliação de acesso à energia e metas climáticas do país.
Kgosientsho Ramokgopa, ministro responsável pela pasta, afirmou na mesma ocasião que a energia nuclear é uma necessidade estrutural para o futuro energético nacional. Ele ressaltou, porém, que o maior obstáculo para países africanos é o financiamento pelos credores internacionais e por instituições multilaterais.
Contexto atual
Atualmente, o carvão responde por mais de 80% da eletricidade na África do Sul, segundo dados oficiais. Recuperam espaço as fontes renováveis, com participação em torno de 10%, enquanto a energia nuclear representa cerca de 4%, majoritariamente proveniente da usina Koeberg.
O governo planeja diversificar a matriz, com expectativa de expansão significativa de renováveis e nuclear nas próximas décadas. O Integrated Resource Plan 2025 aponta metas de ampliar a capacidade nuclear para além dos patamares atuais, mantendo o PN do país.
Desafios de financiamento
Ramokgopa destacou que financiamento mais justo e estável é o maior desafio para ampliar a nuclear na região. Especialistas ouvidos dizem que a viabilidade depende de estruturas financeiras alinhadas ao desenvolvimento local.
Analista ouvido pelo jornal questiona a utilidade da expansão nuclear diante da necessidade de flexibilidade de capacidade para acompanhar a variabilidade de fontes renováveis. A crítica aponta para a importância de gerar energia que possa ser ajustada rapidamente.
Organizações da sociedade civil já ajuizaram ações contra projetos nucleares em Duynefontain, no Cabo Ocidental. A contestação envolve alegações de que o EIA foi feito com dados desatualizados e sem explorar plenamente opções como vento e solar.
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