Kabul voltou a convulsionar nesta semana após o ataque aéreo que atingiu um centro de reabilitação, em meio a disputas entre Kabul e Islamabad sobre quem foi o alvo ou se houve erro de identificação. O governo talibã informou que mais de 400 pessoas morreram e 265 ficaram feridas. Dados independentes da ONU indicaram 143 mortes e 119 feridos.
O local, que acolhia cerca de 2.000 pacientes, era frequentado por ex-usuários de drogas que recebiam tratamento e apoio. Um ex-paciente relembra que o centro o ajudou a ficar sem usar substâncias por dois anos e que, mesmo assim, teme pela própria vida após o ataque.
Nazar Mohammad, que trabalhava no centro como cuidador, afirma ter saído momentos antes do golpe e que, ao retornar, viu cenas de devastação com pessoas feridas e cadáveres sem identificação. O relato destaca a gravidade dos danos na estrutura que abrigava pacientes em tratamento.
A Organização Internacional de Médicos Sem Fronteiras estima que a redução de instalações de tratamento agrava a crise de dependência, sobretudo em um país com serviços médicos limitados. A comunidade internacional acompanha o desdobramento com cautela, diante das divergências sobre a responsabilidade do ataque.
Entre os pacientes atingidos, também havia quem buscava tratamento para dependência de ketamina. Um homem de 34 anos, pai de dois filhos, relatou ter chegado ao centro há poucas semanas para iniciar o processo terapêutico, que agora fica ameaçado pela violência.
Desdobramentos
Especialistas ressaltam que a perda de um único centro de reabilitação reduz significativamente as opções de tratamento disponíveis no país, onde a infraestrutura de saúde já enfrenta limitações. O caso intensifica o debate sobre políticas de combate ao narcotráfico e o impacto humano do conflito.
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