A passagem pelo Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo à região do Indo-Pacífico, envolve hoje riscos que vão além do abastecimento de petróleo. Navios de petróleo e gás natural liquefeito atravessam a rota, respondendo por cerca de 20% do comércio mundial, enquanto a região encara interrupções estruturais. A pressão vem da combinação entre ataques a navios e tensões entre potências que alimentam o bloqueio.
A restrição ao trânsito eleva custos de frete e seguros. Transportadores recorrem a rotas alternativas mais longas e caras, com impactos diretos nos preços de alimentos na região. Empresas de varejo e importação relatam aumento de despesas logísticas e atrasos na chegada de mercadorias perecíveis.
Segundo a Kibsons International, rede de supermercados sediada nos Emirados, a empresa importa cerca de 50 mil toneladas de alimentos por ano de países como África do Sul e Austrália. Com o estreito bloqueado, a companhia desloca remessas e observa incertezas sobre prazos de entrega.
A situação afeta também o transporte de contêineres com destinos como Jebel Ali, Colombo e Mundra. Contêineres são redirecionados, elevando custos com logística adicional e seguros, o que pode ser repassado aos consumidores.
O Programa Mundial de Alimentos alerta para potencial perturbação sem precedentes desde a Covid-19 e o início da guerra na Ucrânia. A autoridade de navegação UKMTO aponta quase duas dezenas de ataques na região desde o início do conflito, em fevereiro.
Gestores de cadeias de suprimento descrevem cláusulas de guerra que permitem redirecionar entregas para portos alternativos. No plano prático, o custo de frete sobe significativamente, com impactos no preço final de itens básicos, como laticínios e produtos frescos.
Para o varejo local, medidas emergenciais incluem a criação de corredores logísticos entre portos regionais e a busca por soluções de transporte rodoviário. Empresas estudam opções de deslocamento terrestre que evitem o Estreito, reduzindo riscos, mas não eliminando custos adicionais.
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