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Embaixador dos EUA nega plano de Israel para expulsar palestinos de Gaza

Ministros israelenses defenderam retirada em massa da população e reassentamento fora do território

Deslocamento forçado de palestinos na Faixa de Gaza devastada pelos bombardeios israelenses, 29 de janeiro de 2025 (Jaber Jehad Badwan, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons)

O embaixador dos Estados Unidos em Israel afirmou no sábado que não há nenhum plano em andamento para expulsar palestinos da Faixa de Gaza, após ministros israelenses apresentarem propostas para retirar os dois milhões de habitantes do território devastado pela guerra.

“Posso afirmar categoricamente que não há nenhum plano dos israelenses para deslocar pessoas de Gaza contra a vontade delas”, disse o embaixador Mike Huckabee a jornalistas durante uma visita a palestino-americanos na Cisjordânia ocupada por Israel.

O ministro da Segurança Nacional de Israel, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, apresentou na quinta-feira um plano que prevê a saída de 250 mil palestinos de Gaza no primeiro ano, seguida pela saída dos cerca de dois milhões de moradores restantes ao longo dos seis anos seguintes.

As declarações ocorreram um dia depois de o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmar que Israel estava pronto para retirar palestinos de Gaza por mar e por terra, mas aguardava os Estados Unidos, que, segundo ele, discutiam para onde a população seria transferida.

Katz, sem citar a fonte da informação, afirmou que 80% das pessoas em Gaza queriam deixar o território, mas que o Hamas as impedia.

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Huckabee disse que o governo do presidente Donald Trump — que fez da oposição à imigração internacional uma de suas principais prioridades — queria dar aos palestinos a opção de deixar Gaza por vontade própria.

“Há uma abertura para que, se as pessoas quiserem sair, tenham o direito de fazê-lo”, afirmou Huckabee, classificando como uma “vergonha” “manter os palestinos presos” dentro de Gaza.

“Ninguém está sugerindo que haverá deslocamento forçado — nem os israelenses, nem os americanos. Não conheço ninguém que apoie isso”, disse.

O deslocamento forçado de uma população civil de um território ocupado é considerado crime de guerra pelas Convenções de Genebra.

Praticamente toda a população de Gaza já foi deslocada internamente pela ofensiva militar de Israel desencadeada após o ataque liderado pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.

Desde o início da guerra, alguns políticos israelenses de extrema-direita têm defendido a volta de colonos à Faixa de Gaza, onde Israel desmantelou seus assentamentos em 2005 como parte de um plano unilateral de retirada do território densamente povoado.

As declarações sobre deslocamento ocorrem na reta final para as eleições de 27 de outubro, nas quais as pesquisas mostram uma disputa acirrada para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que levou para seu gabinete figuras da extrema-direita que antes eram marginalizadas na política israelense.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu a comunidade internacional no início de seu segundo mandato ao propor o deslocamento, ao menos temporário, de todos os palestinos de Gaza e a transformação do devastado território mediterrâneo em um resort de luxo.

Trump recuou da proposta após a reação contrária de diversos países, entre eles o Egito, único país além de Israel que faz fronteira com a Faixa de Gaza.

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