Donald Tusk classificou publicamente como uma “página vergonhosa” o suposto manejo de segredos da UE por Budapeste e criticou a crescente fidelidade da Hungria a Moscou. O atrito emerge após anos de divergências políticas entre Polônia e Hungria.
O afastamento começou com a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, que evidenciou divergências entre Varsóvia e Budapeste. A Polônia tornou-se apoiadora firme de Kyiv, enquanto o governo húngaro manteve relações próximas com Moscou, aprofundando a racha entre os dois países.
Na Hungria, o exílio de pacientes políticos do PiS é tema das tensões. O ex-ministro da Justiça polonês Zbigniew Ziobro busca abrigo no país, respondendo a 26 crimes de corrupção e abuso de poder. As autoridades de Varsóvia alega ter suspeitas de traição há anos.
Desdobramentos recentes
A crise se intensificou após denúncias de que o ministro das Relações Exteriores húngaro vazou detalhes de reuniões da UE para Moscou, segundo Tusk. O governo polonês afirma manter reservas sobre a lealdade de Budapeste há tempos.
A tensão também afeta a política interna polonesa. O presidente polonês de linha MAGA, Karol Nawrocki, viajou a Budapeste para apoiar Orbán durante o ciclo eleitoral, citando divergências com a linha pró-EU de Tusk. A eleição está marcada para 12 de abril.
A relação histórica entre os dois países, que já contou com monarcas comuns no século XIV, é apresentada como uma ruptura de alianças duráveis. A situação atual desloca o eixo político da região, já marcada por alianças e rivalidades históricas.
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