Ao longo dos séculos, o café deixou de ser um fruto silvestre e se tornou uma das bebidas mais consumidas. A trajetória liga a Etiópia ao Iêmen, ao Oriente Médio e, depois, à Europa e ao resto do mundo. O café percorre rotas de comércio, religião e cultura.
Pesquisas apontam Kaffa, no sudoeste da Etiópia, como possível berço do cafeeiro. Inicialmente, as comunidades consumiam o fruto de formas diversas, sem torra, misturando-o com gordura ou mascando o fruto cru. Entre as tradições, destaca-se a história associada ao pastor Kaldi.
De acordo com a lenda, Kaldi teria observado cabras mais ativas após mastigarem frutos vermelhos. Levou os frutos a um líder religioso, que queimou as sementes; o aroma resultante levou à preparação da bebida com água. Registros não confirmam a narrativa, mas ela perdura na memória sobre o café etíope.
A expansão para o Iêmen e além
Entre os séculos XV e XVI, o porto de Moca tornou-se um polo de comércio de café no mundo islâmico. Monges sufis ajudaram a transformar o fruto em bebida ritual, preparando infusões quentes para manter a vigília durante oração noturna. Torra e moagem ganharam destaque.
O preparo passou a seguir etapas locais: colheita, secagem, torra em fogo direto, moagem manual e infusão em água quente. Esse modo consolidou o café como bebida, difundindo-se por mercados e comunidades rurais e urbanas.
Do Oriente Médio à Europa e ao mundo
Nos séculos XVI e XVII, cidades como Cairo, Damasco e Istambul sediaram as primeiras casas de café. Esses espaços reuniam pessoas para conversar, negociar e acompanhar notícias. A bebida ganhou popularidade, apesar de resistências religiosas e políticas.
A entrada na Europa ocorreu gradualmente entre os séculos XVII e XVIII, com cafeterias em Veneza, Marselha, Londres e Paris. Em pouco tempo, o café tornou-se comum nos encontros urbanos e na vida cotidiana, impulsionandorota de expansão colonial e a criação de grandes produtores mundiais.
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