O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou em carta aberta publicada nesta quarta-feira que o povo iraniano não nutre inimizade contra o povo dos Estados Unidos, da Europa ou de países vizinhos. O texto foi dirigido ao público norte-americano e a quem busca a verdade, na tentativa de esclarecer narrativas sobre o conflito.
A carta, escrita em inglês, foi publicada em uma postagem na X. Pezeshkian aponta que o Irã sofreu intervenções estrangeiras ao longo da história e defende que o país atua pela autodefesa, não pela guerra ou dominação.
> O líder iraniano sustenta que há uma diferença histórica entre governos e povos, um princípio que, segundo ele, está enraizado na cultura iraniana e na memória coletiva. O documento destaca que o Irã jamais escolheu ataques de larga escala.
Contexto estratégico
O texto ressalta que os Estados Unidos mantêm a maior concentração de forças ao redor do Irã. Segundo Pezeshkian, essa presença militar envolve bases e capacidades que moldam um ambiente de tensão, mesmo sem o Irã ter iniciado guerras desde a fundação do país.
O presidente afirma que a resposta iraniana não é agressiva, mas defensiva, diante de agressões originadas destas bases. A defesa é apresentada como medida proporcional e não como provocação militar.
Histórico de desconfiança
Pezeshkian recorda episódios que marcaram o afastamento entre as duas nações, incluindo o golpe de Estado apoiado pelos EUA que derrubou o premiê Mohammad Mossadegh, após a nacionalização de recursos petrolíferos. O líder cita ainda sanções e apoio a regimes durante períodos de conflito no Irã.
O texto aponta que tais ações contribuíram para uma desconfiança mútua que se intensificou com intervenções posteriores e iniciativas militares não provocadas, segundo o presidente, impactando as vias de negociação bilateral.
Impactos internos
De acordo com o presidente, pressões externas não impediram o Irã de crecer institucionalmente. Ele cita avanços em alfabetização, educação superior, tecnologia, saúde e infraestrutura, observando que esses ganhos ocorrem independentemente de narrativas externas.
Ainda assim, Pezeshkian reconhece que as sanções, a guerra e a agressão externa geram danos significativos à vida cotidiana do povo iraniano, afetando perspectivas e condições de vida, especialmente durante confrontos prolongados.
Perguntas sobre interesses
O presidente questiona se os interesses do povo norte-americano estão sendo realmente atendidos pela guerra. Indaga se houve uma ameaça objetiva que justificasse ações como ataques a instalações estratégicas e o impacto humano resultante.
Relação com Israel
Pezeshkian afirma que o Irã manteve negociações e cumpriu compromissos, ao mesmo tempo em que critica a decisão dos EUA de se retirar de acordos e intensificar o confronto. O líder sugere que a influência de Israel pode estar moldando a narrativa de ameaça ao Irã.
Ele conclui pedindo que se observe a realidade de imigrantes iranianos bem-sucedidos e pesquisadores em instituições globais, como forma de questionar distorções sobre o país.
Situação atual do conflito
O confronto entre EUA e Israel contra o Irã acumula um mês, com impactos na região e no abastecimento global. O fechamento do Estreito de Ormuz interrompe parte do fluxo de petróleo, elevando o preço internacional do barril. Riscos ambientais também são citados.
Nesta quarta, o presidente dos EUA, Donald Trump, deve falar à nação sobre a guerra, em pronunciamento ainda sem anúncio de acordo para encerrar o conflito.
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